Política

Comissão de Ética decide não reabrir caso “Corretivo”

Parlamentares marcaram a votação dos três pareceres pendentes desde 2018 para a próxima semana
01 de julho de 2019 às 11:44
Foto: Bruno Lemos, Divulgação

A Comissão de Ética do Legislativo de Caxias do Sul decidiu que não reabrirá o caso “Corretivo”. Ele é referente ao vazamento de um áudio, nas redes sociais, no final de maio do ano passado, onde o vereador licenciado e atual chefe de Gabinete da Prefeitura, Chico Guerra, diz ao ex-coordenador de Relações Comunitárias, Rafael Bado, que o prefeito Daniel Guerra mandou retaliar e dar um corretivo no presidente da Associação de Moradores do Bairro Cânyon, Marciano Correa da Silva. A denúncia é do vereador Rafael Bueno/PDT.

A maioria dos parlamentares defendeu que o processo não fosse reinstruído. Eles definiram que o mais correto é votar os três pareceres, que ficaram pendentes desde 2018. A votação ficou marcada para uma nova reunião do grupo de trabalho, que ocorrerá na quarta-feira (3), logo depois do encerramento da sessão ordinária.

No encontro, os vereadores decidirão entre conclusões divergentes. Na época, o ex-integrante, vereador Paulo Périco/MDB, propôs que o processo fosse suspenso por 60 dias. Já o revisor da subcomissão, Ricardo Daneluz/PDT indicou que Chico Guerra recebesse advertência escrita. Os dois pareceres contrastam com a conclusão do relator, Edi Carlos Pereira de Souza, que pediu o arquivamento da denúncia.

Conforme Rodrigo Beltrão, a decisão agora é definitiva. “Não chegou a ocorrer votação, pois a maioria dos componentes da comissão decidiu que seria inconveniente reabrir o processo. Importante ressaltar que, na quarta-feira, daremos uma resposta definitiva à sociedade caxiense sobre este caso”, explica.

Chico Guerra nunca negou a autoria das conversas. Entretanto, não apresentou justificativa plausível para os fatos. No processo, ele preferiu se defender de forma escrita, e não oral, evitando prestar depoimento aos integrantes da Subcomissão de Ética, que apreciou o caso.

 

Bueno acusa conluio nas decisões

 

O autor da denúncia contra Chico Guerra utilizou a expressão popular “tudo acabou em pizza” para avaliar a reunião da Comissão de Ética do Legislativo. Segundo o vereador Rafael Bueno, o colegiado decidiu não reabrir o processo por motivação político-partidária. “Ficou escancarado que houve conluio em favor do Executivo pela maioria dos integrantes da Comissão, defendendo os interesses de seus agregados. Isso mostra que uma carga de cascalho e o conserto de uma boca-de-lobo podem ser trocados por apoio político", afirmou.

Na reunião desta sexta-feira, a Comissão de Ética também decidiu por um processo, onde Rafael Bueno foi denunciado pelo vereador Renato Nunes/PR por intolerância religiosa. Por sugestão de Rodrigo Beltrão, ficou definida a conversão de oral em escrita, a censura proposta pelo relator da Subcomissão, vereador Paulo Périco/MDB. “Esta outra decisão mostra que os vereadores da Comissão de Ética consideraram mais grave uma falsa acusação de intolerância religiosa que o Renato Nunes fez contra mim, do que um parlamentar combinar por debaixo dos panos, com um CC do Executivo, retaliar um cidadão honrado e líder comunitário, como Seu Marciano e a comunidade do Bairro Cânyon”, rebateu.