Cidades

Combate à violência precisa ser coletivo

Familiares são os principais agressores das pessoas idosos, fazendo uso da extorsão e da violência física e psíquica
17 de junho de 2019 às 13:00
Foto: Thiago da Luz Machado

Desde o início do mês, entidades vem realizando atividades, em Caxias do Sul, alusivas ao Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa, celebrado neste sábado (15). Para orientar sobre a rede de proteção e serviços existentes, como agir em caso de violência e cuidados que se precisa ter com este público, uma estrutura do Conselho Municipal do Idoso (CMI) permaneceu, na Praça Dante Alighieri, durante toda a sexta-feira (14).

A vice-presidente do CMI, Daiane Lorandi Camargo, informou que de janeiro a maio, pelo Disque 100, foram recebidas 35 denúncias de violência contra idosos. Em todo o ano passado foram registradas 76. Neste ano já foram feitos 12 atendimentos presenciais e 230 por telefone. A maior parte dos idosos relata sofrer violência psicológica (27,27%), patrimonial (19,32%), física (14,77%) e negligência (38,64%). A extorsão também aparece entre as denúncias mais citadas, tendo nos familiares os principais agressores. “Em todo o mundo estima-se que um a cada seis idosos sofre alguma forma de abuso. São situações que não podem ser mais toleradas. Toda a sociedade precisa se engajar, assim como a violência infantil, ou contra a mulher, entre outras. Não são lutas individuais, são coletivas. Do contrário, fica difícil de erradicar esses atos covardes”, ressaltou.

Em Caxias do Sul, os serviços do CMI podem ser acessados via Unidades Básicas de Saúde, Centro de Referência Assistência Social, pelo telefone (54) 3218-6000 da Coordenadoria Municipal, ou pelo fone nacional para denúncias de agressão a idosos, o Disque 100. Em caso de emergências, o 190 deve ser acionado.

Pouca informação

Lídia Pimentel, 87, disse ser muito importante a divulgação dos serviços que o Município oferta. Na opinião dela, muita gente deixa de receber determinado atendimento por falta de informação. “Não tenho o que reclamar da minha vida. Tenho saúde e moro com a minha filha. Mas todos sabem que a violência existe e é preciso ajudar quem sofre. Para mim, o que gostaria era de receber uma aposentaria mais justa. Comprar remédios e atender todas as necessidades básicas com salário mínimo é muito complicado”.

Lentidão em favor do povo

Para Dejanira Furlan, 74, o principal problema que enfrenta, e que é realidade de muitos, é a questão financeira. Ela disse que sempre procura se informar sofre os serviços que o Município dispõe, principalmente os de lazer. “No mais, acho que Caxias é uma cidade que sempre procura atender bem sua população, em especial os idosos. Mas muita coisa precisa ser feito ainda. E todos sabemos que em benefício do povo o ritmo é lento”, criticou.

Vítima de golpe

Salvador Pereira, 63, disse que ações de divulgação dos serviços existentes deveriam ser mais frequentes. Ele frisa que muitos dos idosos não têm contato com tecnologia e, muitas vezes, as informações não chegam a este público. “Se tivesse conhecimento, talvez não tivesse sido vítima de uma instituição financeira. Sem ter feito qualquer pedido, nem ter assinado nenhum papel, há cerca de três anos tive que pagar R$ 2,5 mil para uma financeira. E não adiantou reclamar. Nunca mais revi este dinheiro, que faz muita falta. Acho que se tem que dar uma atenção maior para este tema, que afeta muita gente”.

Em busca de emprego

Nica da Silva, 77, disse que o que mais quer é conseguir um emprego. Ela afirma que sua única fonte de renda é a caridade de pessoas. “A última vez que fui ver para me aposentar, me falaram que estavam faltando alguns documentos, mas não me orientaram sobre o que deveria fazer. Não sei onde encontrá-los e nem sei como fazê-los. Ainda bem que tenho saúde, e consigo me virar”.





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