Cidades

Colunismo social perde um de seus ícones

Com mais de meio século de atuação na imprensa, o último trabalho de Gargioni foi no Jornal Folha de Caxias
28 de junho de 2019 às 12:37
Foto: Mano Gollo, Divulgação, Banco de Dados

Um dos principais colunistas sociais do Rio Grande do Sul, o jornalista e advogado Paulo Gargioni faleceu ao meio-dia desta quinta-feira (27), em Caxias do Sul. Com 78 anos, ele estava em casa e não resistiu às complicações de um câncer.

Nascido em Vacaria, chegou à Caxias com 20 anos. Estreou no colunismo social em 1966 no então semanário Magazine. Teve sua coluna publicada no Correio do Povo, Folha da Tarde, Jornal do Comércio, Correio Riograndense, Pioneiro, Folha de Hoje e Gazeta de Caxias. Também apresentou programa na então TV Caxias – Canal 8 e na Rádio Difusora. 

Seu trabalho atual, na condição de colaborador voluntário, era na Folha de Caxias, que publicou sua última coluna em 22 de dezembro. Desde o início do ano estava afastado para cuidar da saúde. Era servidor público aposentado da Prefeitura de Caxias, tendo trabalhado a maior parte do tempo na área do turismo.

Em 1982, recebeu do prefeito Mário Vanin a medalha Monumento Nacional ao Imigrante e, em 1991, o título de Cidadão Caxiense, concedido pela Câmara de Vereadores. Em 19 de abril de 2016, por meio de voto de louvor e entrega de placa, o Legislativo reconheceu seus 50 anos de colunismo social. “Ele deixa um legado incalculável. É o ponto de partida do colunismo social caxiense. Sempre engajado em divulgar eventos e ações de cunho social. Além de brilhante colunista, ele estava sempre sugerindo a criação de eventos que viessem fortalecer a causa beneficente. Fará muita falta”, lamentou a amiga e integrante do Rotary Anita Garibaldi, Maria do Carmo.

Em abril de 2016, no Clube Recreio da Juventude, onde tantos eventos ajudou a divulgar e abrilhantar, comemorou 50 anos de crônica social. “É uma grande perda. Um ícone da coluna social. Em muitos eventos estivemos juntos, o que fez que florescesse e perdurasse uma grande amizade. Em todos estes anos em que ele organizava, divulgava e fortalecia eventos, sempre despendia um carinho especial para aqueles de cunho social”, reforçou Eliseu Marin, que por muito tempo foi ecônomo do Clube Juvenil.

Tradicional colunista de Caxias do Sul, Odinha Peregrina, em viagem pela Europa, disse que lamenta muito a partida do amigo. “É triste quando se recebe a notícia da morte de um amigo estando distante. Ainda mais para mim, que comecei a trabalhar como colunista com ele, que muito me ensinou”, contou.

Paulo Gargioni nasceu no dia 14 de setembro de 1940. Não era casado, nem tinha filhos. Conforme Suyan Gargioni Galvão, sobrinha e afilhada, que o cuidava desde o início do ano, respeitando a vontade do tio não houve velório. O corpo foi enterrado no jazigo da família no Cemitério Municipal de sua cidade natal.

 

Manifestações de pesar

 

Várias entidades manifestaram-se, lamentando a morte de Paulo Gargioni. A Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul lembrou o seu trabalho em diversos veículos de imprensa, destacando-o como um dos mais importantes profissionais de sua área, admirado por sua longa e exitosa carreira. "Reconhecemos e agradecemos o empenho e a dedicação de Gargioni, que além de trabalhar na imprensa, também atuou na Secretaria de Turismo, principalmente em benefício da Festa da Uva”, resumiu, em nota, o prefeito Daniel Guerra.

A Câmara Municipal de Caxias do Sul também expressou seu pesar. O presidente Flavio Cassina lembrou que ambos se formaram juntos em Direito pela Universidade de Caxias do Sul em 1973. A Associação Riograndense de Imprensa - Seccional Serra Gaúcha lembrou que, no início da carreira, o cronista usava pseudônimos. Depois, passou a assinar as colunas com nome próprio. “Gargioni aproximou e colocou a vida da comunidade em seus conteúdos. Mostrou a cultura, os hábitos, o requinte e a vida das pessoas nos diferentes ambientes que costumam frequentar. Por meio de textos e imagens, ajudou as pessoas a se verem a partir do que acontece na sociedade”, ressaltou a presidente Andreia Fontana.

 

“Gargioni fazia o que amava mesmo”

 

Esse cara fazia o que gostava, amava mesmo, de verdade, sem ser apenas uma justificativa. Com 72 anos, veio falar com nós e se disponibilizou a atuar como voluntário, sem remuneração, pois precisava se sentir e ser, de fato, útil. Acredito que prolongamos sua vida lhe dando atenção, respeito e valorização. Vejam que sua última publicação é tão recente, data de 22 de dezembro passado, quando decidiu tirar uns dias de férias. Dizia que precisava descansar um pouquinho. Depois viajaria e ficaria uns dias, em Maceió, em Alagoas, onde trabalhou por uns 10 anos e depois, em março, voltaria a atuar.

Uma pena. Assim que saiu iniciaram-se as complicações e acabou não conseguindo aproveitar suas férias e nem viajar. Deixa um buraco no meu peito e de muitos da equipe da Folha deste período. Com sua simplicidade e humildade vinha para a redação e aguardava até que alguém pudesse o ajudar para digitar o que trazia anotado em um papelito e escolher as fotos.

Mais um ícone da imprensa que nos deixa, como ocorreu recentemente com Paulo Cancian, mais rápido do que conseguimos substituí-los. Eu, minha família e a equipe Folha lhes somos (aos dois Paulos) muito gratos e desejamos descanso em paz. No céu deve encontrar muitos e muitos aos quais deu destaque por aqui e seguirá seu destino em outro plano. Fica com Deus e muito obrigado pelos ensinamentos, Paulo Gargioni.

Cláudio Scherer, Fundador da Folha de Caxias