Política

Chico Guerra explica, mas não convence

Chefe de gabinete da Prefeitura foi ao Legislativo esclarecer sobre viagens à Itália e a dois estados brasileiros
19 de junho de 2019 às 12:22
Foto: Gustavo Tamagno, Divulgação

O chefe de gabinete da Prefeitura de Caxias do Sul e vereador licenciado, Chico Guerra/Republicanos, foi ao Legislativo, na sessão desta terça-feira (18), para cumprir convocação da Casa. O objetivo foi esclarecer questionamentos sobre o interesse público de três viagens a serviço do Município. O requerimento foi de autoria dos vereadores Rodrigo Beltrão e Denise Pessôa/PT e Renato Oliveira/PCdoB.

Durante os 20 minutos estabelecidos pelo Regimento Interno, Chico relatou dados sobre as agendas. Ele começou pela viagem à Itália, segundo ele, amparada pela Lei Municipal 8.317/2018, que declarou o Pacto de Amizade entre Corbola e a Região Administrativa de Galópolis, em Caxias do Sul.

Ele justificou que os 14 dias da agenda internacional, realizada entre 24 de março e 6 de abril, foram relativos à assinatura do termo e que as demais etapas do roteiro de visitas a empreendimentos decorreram desta ação. “Uma vez ocorrida à aprovação de tal lei, deve-se implementar as ações pertinentes a essa lei, dentre elas as visitas institucionais que passam a apresentar parte do que foi realizado...”, prosseguiu enumerando toda a agenda em território italiano.

 

VIAGENS DOMÉSTICAS

 

Sobre as duas viagens realizadas em território nacional, acompanhando o prefeito e irmão Daniel Guerra/Republicanos, enumerou os temas abordados durante o 6º Encontro Nacional do Ministério Público de Defesa da Saúde, em Fortaleza/CE. A viagem ocorreu entre os dias 28 de maio e 2 de junho.

Na sequência, entre 10 e 12 deste mês, também junto com o prefeito, Chico foi para Brasília/DF, onde acompanhou, no Superior Tribunal de Justiça, o julgamento da ação rescisória do Caso Magnabosco – adiado por novo pedido de vistas do ministro Herman Benjamin - e participou da Expotchê, promovida pelo governo do Estado. “Em virtude do julgamento do caso Magnabosco se priorizaram as agendas voltadas à questão. Entre elas, reunião com um dos maiores juristas do Brasil, contratado pelo nosso prefeito Daniel Guerra, ainda em 2017, o ex-ministro e Dr. Ilmar Galvão, bem como junto aos gabinetes de alguns dos ministros do STJ, recebido pelos seus assessores”, relatou.

Sobre a próxima viagem com o prefeito, entre os dias 24 e 27 de junho, para São Paulo, a fim de participar da 14ª ISC Brasil – Feira e Conferência Internacional de Segurança, justificou: “O primeiro motivo dessa viagem a ser realizada é que esse assunto também está entre as três áreas prioritárias do nosso prefeito Daniel Guerra. Em eventos dessa envergadura, juntamente com o secretário da pasta, poderemos identificar o que há de mais moderno e eficiente para o tema segurança na cidade, verificando alternativas e inovações que sejam adequadas à nossa realidade”.

 

Beltrão indica usurpação do cargo de vice-prefeito

 

O vereador Rodrigo Beltrão/PT foi o autor da ideia de convocar Chico Guerra, durante um pronunciamento no plenário da Câmara. Ao questionar o chefe de Gabinete sobre o interesse público das viagens dele, pagas com dinheiro público, o petista avaliou que, nos deslocamentos, o convocado se comportou como se exercesse um cargo acima do qual foi nomeado.

Na avaliação de Beltrão, técnicos do Município deveriam ter sido priorizados para participar dos eventos em território brasileiro. “Vejo que V. Exa., nessas viagens, me paira uma força de representação como se fosse um vice-prefeito. Sempre se debateram os impeachments nesta Casa. Se dizia de respeito às urnas. Vossa Excelência não estaria usurpando da vice-chefia do Executivo, assumindo, na prática, uma função de embaixador do Município nessas viagens, usurpando dessa função?” questionou.

 

COMO REPERCUTIRAM...

 

RENATO OLIVEIRA/PCdoB – “O Município (Corbola) de 2,3 mil moradores, comparando com Caxias. A gente não está menosprezando, mas queremos saber de concreto o que o senhor trouxe além desse bom relacionamento familiar que o senhor tem, que o senhor vai com o seu irmão, volta com o seu irmão. Além de laços familiares bem fortes, por que não ampliar para a área específica da saúde, da segurança, da educação? Onde foram celebrados esses convênios e nesses outros seminários?”.

 

ALBERTO MENEGUZZI/PSB – “Manda Chico Guerra e a subprefeita assinarem um acordo, que eles julgam importantíssimos, e não há uma notícia durante 14 dias a respeito disso, nenhum, nem no site, nem no Facebook, nem no Instagram, em todas as mídias sociais. E a população fica aqui acompanhando, supondo: ‘Onde será que está o vereador Chico Guerra neste momento na Itália?’. Em 14 dias, nenhuma informação. O problema não é a viagem. É que essa administração não se comunica com a população”.

 

PAULO PÉRICO/MDB – “Se vai lá e tira fotografia, achei que até nós veríamos aqui todas as imagens das visitas e não vimos. Se V. Exa. teve esse custo de R$ 21 mil, por que o ex-secretário Carlos Heinen foi às suas próprias expensas à cidade de Little Rock, capital do Arkansas, de um acordo feito entre Caxias, que é uma cidade que tem uma economia parecida com a nossa e V. Exa. vai a uma cidade de 2,6 mil habitantes que não tem nada de economia. Muito estranho, realmente muito estranho”.

 

ADILÓ DIDOMENICO/PTB – “Vejo, vereador Chico Guerra, V. Exa. e o prefeito, mantendo Caxias como uma ilha, muito isolada. Precisamos nos integrar e o Sistema Gaúcho de Monitoramento, com as demais cidades e com todas as organizações policiais. Então, mais do que ir a um encontro, a um seminário, que a gente acha importante, é conversar aqui com os organismos do Estado. Lamentavelmente, estamos no terceiro secretário [de Segurança Pública], não acredito que termine o governo esse também”.