Cidades

Chegada do frio aumenta o movimento de turistas

Queda das temperaturas elevou o índice de ocupação da rede hoteleira na região da Serra
08 de julho de 2019 às 12:37
Foto: Mauro Stoffel, Divulgação

A massa de ar frio que atingiu a Região Sul, na quarta (3), provocando temperaturas negativas em alguns municípios, deve permanecer neste final de semana. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia, no sábado (6) e domingo (7), na Serra Gaúcha, as temperaturas mínimas serão de 0ºC e as máximas não ultrapassarão  9ºC, com chances de precipitação de neve nos pontos mais elevados. Em regiões mais elevadas, são previstos até 5º negativos.

Para o presidente do Sindicato da Hotelaria, Restaurantes, Bares e Similares da Região das Hortênsias, Mauro Salles, a queda acentuada das temperaturas contribuiu fortemente para a elevação dos índices de ocupação dos mais de 25 mil leitos existentes nos municípios. “A rede hoteleira está com índice de ocupação entre 90% e 95% para este final de semana”, estimou.

Conforme Salles, ao longo do ano, o setor hoteleiro trabalha com dois tipos de clientes. Os que vêm de fora do estado, fazem reserva com antecedência para, em média, sete dias. Os turistas regionais, muito influenciados pelas condições climáticas, geralmente passam o final de semana e os feriados. “Em julho de 2018 tivemos taxas de ocupação em torno de 85%. Dificilmente este índice se repetirá. Prevemos queda de 10%, principalmente pela insegurança ainda muito presente no país. Para o restante da temporada, projetamos ocupação média de 55%, com elevação nos fins de semana”, salientou.

O sindicato também trabalha para a regularização dos aluguéis de temporada, feitos por aplicativos. Segundo Salles, entre 30% e 35% do público que vai para a região busca esta alternativa. “Não temos problema com concorrência. Mas ela deve ser justa, para que todos possam competir em condições de igualdade, respeitando as diferenças”, frisou.

Turismo o ano todo

Em Garibaldi, que oferece em torno de 1 mil leitos, o secretário de Turismo e Cultura,  Paulo Salvi, projeta ocupação média de 70% a 80% neste fim de semana. Destaca que a maioria dos visitantes é do Rio Grande do Sul, mas percebe movimento crescente de turistas de São Paulo e Rio de Janeiro. Salvi argumenta que a cidade tem programação para as quatro estações do ano.

Para superar a concorrência dos aplicativos de locação, Salvi salienta que a rede hoteleira está focada no aprimoramento dos serviços e atuando de forma conjunta com o poder municipal para o desenvolvimento e divulgação de atrativos. “Essa é uma questão mundial. Por enquanto, não recebemos nenhuma reclamação. Temos recebido em média 500 mil turistas por ano. Desta forma, há espaço para todos que querem somar”, garantiu.

Agricultura precisa de frio abaixo de 7.2ºC

Outro setor que comemora a chegada e permanência das baixas temperaturas é a agricultura, principalmente a fruticultura, que necessita de, pelo menos, 300 horas abaixo de 7.2ºC para que a maioria das variedades permaneça em período de dormência. Conforme o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Caxias do Sul, Rudimar Menegotto, a macieira, por exemplo, para ter uma boa frutificação, precisa de 500 horas. “Nesta época, quanto mais frio fizer, melhor. O que não pode ocorrer são oscilações de temperaturas, que podem fazer com que as plantas floresçam antes do tempo. E vindo o frio, novamente, se perde toda a produção”, explicou.

Ocupação nas casas de acolhimento chega a 90%

Mas nem tudo são flores na estação mais fria do ano. Principalmente, para as pessoas que se encontram em vulnerabilidade social. A Fundação de Assistência Social (FAS) estima que Caxias do Sul tenha 150 pessoas residindo nas ruas há mais de cinco anos e costumam ser os últimos a buscar ou aceitar os serviços de acolhimento. “Com a chegada do frio, a demanda aumenta. Mas ainda temos cerca de 10 vagas disponíveis nas duas casas de acolhimento, que juntas disponibilizam 80 vagas”, destacou a diretora da Média Complexidade da FAS, Ana Lúcia Albuquerque e Silva.

Quando contabilizadas as pessoas que vieram em busca de uma oportunidade de vida melhor, que perderam o emprego ou que enfrentam outras dificuldades, Ana Lúcia informou que esse número se eleva para até 300 pessoas. “Essa é a maior fatia que reside das casas de hospedagem. São pessoas que não querem permanecer em situação de rua”, salientou. Todas as noites são feitas abordagens convidando as pessoas que se encontram nas ruas a irem para o abrigo.

O projeto Hospedagem Solidária, mantido pela Pastoral das Pessoas em Situação de Rua, onde o público alvo é o masculino, de todas as faixas etárias, disponibiliza 100 pernoites. “A média vem sendo de 70 pessoas”, informa o padre Elton Marcelo Bussolotto Aristides, pároco da comunidade da Sagrada Família, onde o projeto ocorre.





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