Economia

Caxias do Sul acumula expansão de 6,5% no ano

Desempenho é impulsionado por números vigorosos do comércio e dos serviços
06 de novembro de 2019 às 16:00

Projeção é otimista para as vendas no comércio nos dois últimos meses do ano (Foto Alencar Turella, Divulgação)

A atividade econômica de Caxias do Sul acumula, até setembro, crescimento de 6,6% sobre igual período do ano passado. Ao contrário de exercícios anteriores, quando a indústria era a responsável pela expansão, neste, comércio e serviços apresentam índices mais robustos, respectivamente, de 15% e 9,9%. A indústria tem variação positiva de 2,2%. O desempenho da economia em setembro foi divulgado na terça (5) pela Câmara de Indústria, Comércio e Serviços (CIC) e Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL).

Embora o índice da indústria possa parecer decepcionante, a economista Maria Carolina Gullo, integrante da Diretoria de Economia, Finanças e Estatística da CIC, lembra que a base de comparação é alta. “A indústria já tinha um ritmo de recuperação mais intenso no ano passado. Por isso, o índice atual precisa ser definido como vigoroso. Comércio e serviços, por sua vez, conviviam com desempenho mais fraco”, comentou. Para a economista, o resultado da indústria até poderia ser melhor, mas salientou que para isto ocorrer há dependência de fatores governamentais.

Dentre os indicadores que formam o Índice de Desempenho Industrial, apenas a massa salarial apresenta retração, de 1%, no período de nove meses. As horas trabalhadas aumentaram 6,8%; as vendas, 4,2%; e as compras, 2,4%. O uso da capacidade instalada, que avançou 2,5%, está na média de 76,5% no ano.

Melhorou a renda

A reação no comércio tem relação direta, de acordo com Mosár Leandro Ness, assessor de economia e estatística da CDL, com incremento na renda da população. Ainda que o nível de desemprego siga elevado, houve a abertura, no ano, de 2.425 vagas. Além disso, a liberação do valor de R$ 500 por trabalhador do Fundo de Garantia também contribuiu para esta reação. “O movimento de retomada é contínuo”, definiu.

Outro ponto positivo no comércio é a redução no número de consumidores inadimplentes. Em setembro, o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) mantinha 76.279 CPF’s negativados em Caxias do Sul, recuo de 4% sobre o mesmo mês do ano passado. Ou seja, 2.524 consumidores recuperaram seu crédito. Com isso, o estoque da dívida foi reduzido em quase 7%.

Com duas fortes datas de vendas, a Black Friday, neste mês, e o Natal, em dezembro, o economista tem convicção de que o comércio fechará o ano com crescimento. Até setembro, a reação se concentrou no ramo duro, na ordem de 21%, com destaque para a atividade de automóveis, caminhões e autopeças, com alta de 42%. O ramo mole apura recuo de 5% e todos os seus segmentos têm indicadores negativos. A maior variação é de 10,5% nos produtos químicos.

Exportações têm forte recuo em setembro

As crises instaladas na Argentina e no Chile, os principais mercados consumidores de produtos caxienses, derrubaram as vendas externas das empresas locais aos menores patamares em 12 meses. Em setembro, a receita com exportações foi de US$ 39 milhões, queda de 34% sobre igual mês do ano passado, e de 24% sobre agosto. Os valores acumulados no ano são de US$ 507 milhões e, em 12 meses, de US$ 757 milhões. Na comparação anual, a queda é de 8,5%.

O Chile ainda é o principal mercado, respondendo por 27% do total. A Argentina, que liderava o ranking, com 19%, em 2017, caiu para a quarta posição, com 6,7%, atrás de Estados Unidos, com 12%, e México, com 6,9%.

As importações, por sua vez, avançaram 9% em 12 meses, chegando a US$ 412 milhões – até setembro, o montante é de US$ 334 milhões. Em setembro, as compras externas somaram US$ 28 milhões, aumento de 12% sobre igual mês do ano passado e queda de 10% sobre agosto. A China é a principal origem das importações, com 32%, mas em declínio. O espaço vem sendo ocupado pelos Estados Unidos, que representam 17%. Itália, com 9,9%, e Alemanha, com 6,8%, também perdem representatividade. Em crescimento na participação estão Suécia, com 5,4%, e Índia.





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