Economia

Carne puxa inflação para 4,31% no ano passado

Juntamente com feijão, alimento influenciou resultado que ficou acima do centro da meta
10 de janeiro de 2020 às 15:37

Alimento tem grande impacto nos custos da alimentação fora de casa (Foto Marcello Casal Jr., Agência Brasil/Folha de Caxias)

A inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), fechou o ano passado em 4,31%. A taxa é superior aos 3,75% observados em 2018, segundo dados divulgados sexta (10) pelo Instituto Brasileiro Geografia e Estatística (IBGE). A taxa também ficou acima do centro da meta de inflação, estipulada pelo Conselho Monetário Nacional em 4,25%. Em dezembro, o IPCA ficou em 1,15%, acima de 0,15% do mesmo mês de 2018 e de 0,51% de novembro. Esse é o maior resultado para o mês desde 2002 (2,10%).

O principal componente que influenciou o índice foi a carne, com impacto 0,86%, e que representou, também, o maior efeito individual no ano. No acumulado de 12 meses, a alta ficou em 32,40%, com maior parte, 27,61%, concentrada no último bimestre.

Como a carne têm um peso grande no indicador, a influência é maior no índice. Somente em dezembro, os preços tiveram alta de 18,06%, que acabam refletindo em outros componentes do IPCA. “A carne tem um efeito grande na parte de alimentação fora do domicílio, porque gera uma inflação de custos para bares e restaurantes, como também em outras proteínas e alimentos, caso dos pescados e frangos. As pessoas buscam substituir a carne por outros produtos e isso encarece os preços destes também”, explicou o gerente do Sistema Nacional de Índices de Preços do IBGE, Pedro Kislanov da Costa. Segundo ele, sem o impacto da carne, o IPCA teria ficado em 3,54% no ano.

Feijão também pesou

No início do ano, o indicador sofreu impacto de outro componente do grupo alimentação e bebidas. O feijão carioca acumulou elevação de 105% no primeiro trimestre. No fim do ano, os preços voltaram a subir e fecharam o ano com elevação de 55,99%. “Nos três primeiros meses do ano, a gente teve uma questão climática de excesso de chuvas, que prejudicou a colheita. Ao longo do ano, se observou deflação com uma segunda safra do feijão, mas no final do ano o preço retomou trajetória de alta. Ficou com mais de 20% em dezembro, fechando o ano com quase 56%”, observou.

No grupo de transportes, que fechou com alta de 3,57%, os maiores efeitos foram com os ônibus urbanos (6,64%) e a gasolina (4,03%). No grupo habitação, o maior impacto foi o preço da energia elétrica, que acumulou alta de 5%, apesar de ter recuado em quatro meses do ano. De acordo com o IBGE, a mudança de bandeira tarifária influenciou o comportamento desse componente.

Os planos de saúde, com alta de 8,24%, foram um destaque no grupo Saúde e Cuidados Pessoais, que subiu 5,41%. Os planos têm um peso muito grande dentro do orçamento das famílias e acabaram fechando o ano com alta bem maior do que a do próprio IPCA. Em 2019, a Agência Nacional de Saúde Suplementar autorizou um reajuste de até 7,35% nas mensalidades dos planos de saúde individuais. O único grupo a apresentar deflação foi o de artigos de residência, com 0,36%, causado pelas quedas dos preços de TV, som e informática de 4,41% e, de mobiliário, de 1,21%.

Situação indefinida para 2020

Para o gerente Pedro Kislanov, agora é preciso aguardar se, em 2020, o comportamento dos preços será o mesmo. No caso da carne, no final de 2019 houve restrição na oferta no mercado doméstico por conta do aumento das exportações, principalmente para a China. “Podemos ter diversas questões de demandas durante o ano que podem influenciar os preços, tanto da carne quanto dos outros produtos. Então, não tem como fazer uma previsão neste momento”. De acordo com Kislanov, ainda não se pode garantir que o resultado do IPCA tenha relação com a retomada da economia. Ele porém não afastou a perspectiva de influência em 2020.