Comunidade

Campo Santo dos Imigrantes é revitalizado

Antigo cemitério da Capela São Martinho, em Flores da Cunha, foi tombado historicamente em novembro de 2018
29 de novembro de 2019 às 14:41

Espaço santo foi restaurado em ação da Prefeitura com Associação de Amigos (Foto Divulgação)
 

Após tornar-se o primeiro patrimônio histórico cultural tombado pelo município de Flores da Cunha, em novembro de 2018, o cemitério antigo da Capela São Martinho, no Travessão Martins, agora denominado Campo Santo dos Imigrantes, passou por revitalização e ampliação, com a criação de estacionamento, ajardinamento e plantio de árvores, além da colocação de placas que contam a história do local. A entrega da revitalização ocorre no sábado (30), a partir das 16h, com celebração de missa. O trabalho foi realizado em parceria da Prefeitura de Flores da Cunha com a Associação dos Amigos do Museu e Arquivo Histórico Pedro Rossi.

O cemitério está localizado ao lado da antiga estrada que ligava às famílias Gazzi e Panizzon, hoje substituída pela Estrada Municipal Ricardo Panizzon. O local possui uma cerca de taipa, feita artesanalmente com pedras, além de covas subterrâneas, com sete palmos de fundura, pois até esta altura a terra era considerada benta. Também é formado por cruzes com desenhos em arabesco, artesanalmente forjadas, características que o diferenciam dos demais cemitérios do município.

O Campo Santo dos Imigrantes da Capela São Martinho possui outra curiosidade: o limbo, construído fora dos limites bentos, porém anexa ao mesmo. Ali eram enterrados os não batizados e os desconhecidos.

As cruzes menores, no fundo do cemitério, foram colocadas por volta de 2015 por Plínio Mioranza para marcar o local onde foram sepultados os soldados da Revolução de 1923. Os revolucionários, provavelmente, vinham da região dos Campos de Cima da Serra. Segundo depoimentos dos antigos moradores, estes soldados foram enterrados na Capela São Martinho, pois a comunidade de Alfredo Chaves não aceitou enterrá-los por serem contrários ao partido político apoiado pelos moradores.

Em 2016, os irmãos Liamar, Francisco Roberto, Paulo Renato, Ricardo e Jose Virgilio Venturini, filhos de Claudino Venturini e Oliva Caldart Venturini e descendentes de Domenico Caldart, adquiriram as terras onde se localiza o cemitério com o objetivo de preservar o patrimônio histórico, assim como a história da família. Desapropriado, tornou-se o primeiro patrimônio histórico e cultural da cidade.