Economia

Brave encaminha compra de mais duas aeronaves

Empresa gaúcha amplia negócios com oficialização de novas associações
30 de maio de 2019 às 12:17

Em operação desde fevereiro último, a Brave, primeira empresa de aeronaves compartilhadas do Rio Grande do Sul, tem definida estratégia de ampliação dos serviços para este ano. Os sócios Carlos Bertotto e André Tessari confirmam a compra de mais uma aeronave Cirrus SR20 e de um jato modelo Fenon 100 para operação a partir de Porto Alegre, num processo de expansão das atividades atualmente baseadas em Caxias do Sul.

O compartilhamento de aeronaves funciona nos Estados Unidos desde a década de 80 e chegou ao Brasil há 10 anos, onde já representa uma das maiores frotas do mundo, com 15 mil aviões de pequeno porte em circulação. O primeiro avião da Brave, um Cirrus SR20, é de propriedade de cinco cotistas de diferentes cidades gaúchas.

O investimento na aeronave foi de R$ 800 mil, com valor de R$ 170 mil para sócio, que também pagam uma mensalidade de R$ 2,4 mil e os custos de viagem, como combustível e taxas aeroportuárias, além de adicionais quando o uso exceder a um dia. Bertotto estima que o compartilhamento represente economia de mais de 70% em relação aos custos de comprar um avião sozinho. Também o custo por viagem, quando comparado com a aviação tradicional, é menor, além de a aeronave ficar à disposição do proprietário durante todo o dia. A opção de ter somente cinco cotistas é para que todos possam utilizar, se necessário, pelo menos uma vez a aeronave por semana.

O jato que será incorporado ao sistema tem custo de R$ 8 milhões a R$ 10 milhões, demandando cota na faixa de R$ 2 milhões por proprietário. É uma aeronave com capacidade para 12 passageiros – o Cirrus é para apenas três – e maior autonomia de voo. O modelo Cirrus é indicado para roteiros mais curtos, atendendo principalmente aos três estados do Sul do Brasil. Mas tem autonomia para uma viagem de até cinco horas, ligando por exemplo Caxias do Sul ao Rio de Janeiro. “O cliente pode viajar para qualquer cidade da América do Sul onde tenha aeroporto, de acordo com agendamento feito pelo site ou aplicativo”, afirma Bertotto.

Em paralelo aos encaminhamentos da operação em Porto Alegre, os gestores da Brave prospectam outras possibilidades de formação de sociedades. Dentre os mercados em análise estão Santa Maria e Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, e Florianópolis e Caçador, em Santa Catarina.

 

Legislação complicada

 

De acordo com Carlos Bertotto, a formatação da Brave teve início em 2017 e demandou praticamente um ano até encontrar a melhor forma jurídica de funcionamento. Segundo ele, empresa tem a função de estruturar a sociedade e garantir a manutenção das aeronaves, do agendamento de viagens e dos custos com a equipe de apoio, como piloto. “Temos um contrato de prestação de serviços com esta sociedade, que é a proprietária do avião. Portanto, não é um sistema de táxi aéreo”, assinala. Segundo ele, a legislação brasileira neste segmento é bastante complicada.

Tessari acrescenta que o maior atrativo para o negócio é a economia de tempo, não só as que andam de avião, mas também as que circulam de carro semanalmente em médias e longas distâncias. “Já há a percepção de que se perde muito tempo com aviões atrasados, salas de embarque, esteiras de bagagem, noites mal dormidas em hotéis e deslocamentos entre os grandes aeroportos e as cidades do interior”, relaciona.