Economia

Brasil tem 4.700 obras públicas paralisadas

Presidente da Câmara Brasileira da Construção Civil, José Carlos Martins, destacou que retomada pode gerar 500 mil empregos diretos
13 de agosto de 2019 às 09:29
Foto: Fotos Julio Soares, Divulgação

“Bolsonaro não está mudando nada. Quem mudou foi o Brasil e, por isso, surgiu o Bolsonaro. O momento é de ruptura e os valores éticos passaram a ser muito fortes”. A afirmação é do presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), José Carlos Martins, palestrante da reunião-almoço da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul (CIC) desta segunda-feira (12), ao dar início à avaliação que fez do cenário atual e falar das perspectivas para o setor até 2020. Para o empresário, o Brasil precisa “investir na locomotiva, que puxa um monte de gente junto”, referindo-se a áreas como exportação e construção civil. Martins relacionou medidas que, se adotadas pelo governo, teriam o efeito de aquecer a economia. Entre elas, a retomada de 4.700 obras de infraestrutura licitadas no Brasil e que estão paralisadas, nas quais já foram investidos R$ 70 bilhões. “É um valor que está se deteriorando por ação do tempo, vandalismo ou invasões”, comentou o presidente da CBIC. Ainda de acordo com ele, seriam necessários R$ 40 bilhões para concluir essas obras. “Óbvio que para isso é preciso parceria com a iniciativa privada. Estamos conversando com o governo para estabelecer as condições. A retomada dessas obras é um dos pontos mais importantes neste momento, pois elas poderão representar geração imediata de empregos”, destacou Martins. Ele estimou em 500 mil diretos e mais 1,5 milhão de indiretos. Outras medidas apontadas foram melhoria do crédito imobiliário, um novo programa de moradia popular e redução da informalidade, que hoje responde por 57% do setor.

Além disso, Martins falou sobre a insegurança jurídica no país. Para o dirigente da CBIC, jurisprudência em três níveis, entendimento do Ministério Público e de outros órgãos a respeito da legislação, além de conselhos, fazem com que a interpretação das leis se torne conflitante e divergente, abrindo possibilidade de judicialização.  Por outro lado, as empresas têm como desafio aumentar a sua produtividade.