Política

Autores da lei das bancas cobram coerência do Executivo

Parlamentares criticaram o fechamento dos pontos públicos de vendas de revistas e jornais
26 de julho de 2019 às 08:51
Foto: Rodrigo Rossi, Banco de Dados

O fechamento das bancas de revistas localizadas em espaços públicos de Caxias do Sul, ocorrido na tarde desta quarta-feira (24), repercutiu de forma negativa na sessão legislativa de ontem (25). Os espaços foram fechados por determinação do Executivo, referendado pelo indeferimento de liminar em uma ação popular movida pelos permissionários Ana Maria Furlan, Ivanda

Francescatto, Rogério de Mello e Roque Simas; vereador Rafael Bueno/PDT; e presidentes da União das Associações de Bairros (UAB), Valdir Walter, e Amob São Pelegrino, Vanderson dos Santos Lopes.

O tema foi abordado pelos três autores do projeto de lei que declara as bancas de revistas como patrimônio imaterial da cidade. O debate foi provocado pelo vereador Eloi Frizzo/PSB. Na tribuna, ele se solidarizou com os comerciantes em nome da bancada do partido. “Sem dúvida, ontem [24], assistimos a uma das páginas mais tristes da história de Caxias, da relação do Executivo com a sua comunidade, com a cidadania, com a sua história, com o seu pertencimento”, analisou.

Frizzo ainda lamentou a interpretação do juiz da 2ª Vara Cível Especializada em Fazenda Pública, João Pedro Cavalli Júnior, e concordou com o advogado dos comerciantes. “Tem razão o ex-vereador Adir Ubaldo Rech quando diz que as bancas sem os permissionários e sem as revistas dentro não são nada, é um conjunto de lata com telhado”, destacou. O socialista também criticou o apoio de cidadãos caxienses a ações deste tipo praticadas pelo governo municipal. “Esse prefeito, lamentavelmente, ainda tem apoio de um bando de reacionários, fascistas direitosos”, classificou as pessoas que defenderam a decisão do prefeito Daniel Guerra/Republicanos.

FONTE DE CULTURA

Em aparte, Rafael Bueno ressaltou a importância do serviço prestado pelas bancas para a cultura de Caxias. Ele se referiu à banca localizada ao lado da Prefeitura e também lamentou o apoio popular ao fechamento das bancas.

“Vereador Frizzo, o senhor repercutiu ali a questão de algumas pessoas, de forma infeliz, que ainda apoiam o governo Daniel Guerra. A gente tem que respeitar a democracia. A falta de conhecimento e um pouco de cultura, que essas pessoas não irão mais às bancas comprar um jornal e a ignorância delas só vai aumentar”, avaliou.

O vereador Paulo Périco/MDB acredita que o desfecho do caso foi provocado por ato de má-fé do Executivo. “O secretário da Cultura [Joelmir da Silva Neto] não repassou o projeto desta Casa para o Compahc. Justamente, a estratégia da Prefeitura seria deixar expirar o tempo daquela liminar até o momento de tomar atitude em relação às bancas”, denunciou.

Périco questionou sobre a importância do serviço prestado pelos permissionários à cultura local e o prejuízo trazido pelas bancas ao Executivo. “Em que a banquinha do Mello, lá em São Pelegrino, incomoda o prefeito? Ele diz que governa para os cidadãos, mas para quais cidadãos, senhor prefeito, o senhor governa? Venha a público e diga”, afirmou.





Publicidade