Economia

Aumenta a dívida com carnês de lojas

Empresas do varejo têm investido em cartões próprios, sem cobrança de anuidades, o que atrai mais clientes
13 de janeiro de 2020 às 15:02

Situação do endividamento do consumidor começa a preocupar o comércio (Foto Divulgação, Banco de Dados, Folha de Caxias)

A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), divulgada pela Fecomércio-RS na segunda-feira (13), mostrou que em dezembro, pelo quinto mês consecutivo, o percentual de famílias endividadas apresentou redução na comparação com novembro, apesar de ainda permanecer em patamar superior ao mesmo período de 2018. Atualmente, 66,2% das famílias gaúchas apontam que apresentam dívidas contraídas com cheques pré-datados, cartões de crédito, carnês de loja, empréstimo pessoal, compra de imóvel ou prestações de carro e de seguros, entre outros.

Em dezembro, 79,6% das pessoas endividadas tinham dívidas com cartão de crédito. Entretanto, chama atenção o crescimento de carnês: atualmente, 28,9% das pessoas têm dívidas. "Muitas lojas trabalham com cartões próprios, numa versão repaginada dos carnês. Ao oferecer o crédito sem cobrança de anuidade e oferecendo uma série de vantagens aos seus consumidores, esse tipo de meio de pagamento costuma cair nas graças do público, o que ajuda a explicar o resultado que vemos na pesquisa", analisa o presidente da Fecomércio-RS, Luiz Carlos Bohn. 

A renda comprometida com o pagamento de dívidas em dezembro foi de 29,1%, próximo ao considerado limiar para que os gastos não comprometam o consumo presente, evitando, assim, a criação de condições para uma situação de inadimplência. O cartão de crédito permanece, de forma isolada, como o principal meio de endividamento.

O índice de famílias com conta em atraso aumentou mais uma vez, atingindo 28% dos entrevistados. E o de famílias que não terão condições de regularizar nenhuma parte de suas dívidas em atraso, no horizonte de 30 dias, que sinaliza o grau de persistência da situação de inadimplência, também registrou nova alta, alcançando 13,1%. "As novas características do mercado de trabalho, com maior participação de pessoas sem vínculo formal de trabalho, o atraso nos pagamentos do funcionalismo e a falta de educação financeira, entre outras razões, ajudam a explicar a dinâmica da inadimplência. Hoje não temos patamares preocupantes, mas precisamos sempre observar esses números com atenção", observou o presidente da Fecomércio-RS.