Cidades

Água servida aos caxienses não é contaminada por agrotóxicos

Garantia foi dada por representante da Secretaria Estadual da Saúde durante audiência pública realizada pela Câmara de Vereadores
27 de junho de 2019 às 13:06
Foto: Vania Marta Espeiorin, Divulgação

Engenheiro químico do Programa de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano da Secretaria Estadual da Saúde (SES/RS) e especialista em saúde, Luciano Barros Zini, garantiu em audiência pública na Câmara de Vereadores, que a água de Caxias do Sul não tem agrotóxicos. Da tribuna do Legislativo, na terça-feira (25), durante encontro promovido pela Comissão de Saúde e Meio Ambiente, Zini fez a afirmação buscando tranquilizar a comunidade caxiense diante de matérias veiculadas na imprensa nacional e local, indicando o contrário.

A reunião partiu de sugestão da vereadora Gladis Frizzo/MDB e foi conduzida pelo presidente da comissão, Renato Oliveira/PCdoB. A partir da pergunta "Você bebe agrotóxicos?", o grupo parlamentar mobilizou cerca de 60 pessoas para tratar sobre a revisão do padrão nacional da potabilidade da água servida à população. Entre os presentes: comunidade em geral, autoridades e especialistas da área.

Conforme Zini, além de fiscalização pelos órgãos competentes, são feitas pesquisas regulares e por amostras. No ano passado, no estado, foram feitas 200 coletas e remetidas para análise na Fundação Oswaldo Cruz/Fiocruz, no Rio de Janeiro. Os resultados asseguram a qualidade da água do município. Entretanto, ele avalia como positiva a discussão em torno do tema, destacando a necessidade de uso adequado de agroquímicos. "É assunto que deve ser debatido, não no sentido de criminalizar o setor da agricultura, mas buscando o equilíbrio para não colocar em risco a saúde da população", explica.

Segundo o gerente de tratamento de água do Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto, Tiago Marcon, a altitude e o trabalho de preservação dos mananciais, assegurado principalmente pela legislação que define as zonas de águas no município, contribuem para evitar que haja contaminação por agrotóxicos. Ex-diretor da autarquia, o vereador Edio Elói Frizzo/PSB disse que ficou surpreso com notícias, sugerindo a existência de agrotóxicos nas águas caxienses. O pedetista Rafael Bueno avalia ser necessário adotar iniciativas mais intensas em torno da preservação do meio ambiente como um todo. 

A vereadora Gladis entende que o debate e os esclarecimentos à população precisam ocorrer permanentemente. Também defendeu a preservação e a conscientização das pessoas em torno do uso da água, para que não falte para as futuras gerações. Ligado à agricultura, o vereador Velocino Uez/PDT relata que, cada vez mais, os produtores rurais estão tendo cuidado com a utilização de agroquímicos.

Assunto para ser pensado nas discussões do Plano Diretor

Cidadão Emérito e integrante da Rede Ecovida de Agroecologia, o engenheiro Orlando Michelli posicionou-se na defesa dos alimentos mais ecológicos e, na sua ótica, a água é um bem comum, mas alertou: "desde 1970, a água que nos rodeia está contaminada, não sei se é pouco ou muito, mas o veneno mata". Bióloga e doutora em Engenharia de Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental, Vania Elisabete Schneider destacou vários vieses necessários para se ampliar a preservação ambiental, incluindo, por exemplo, evitar conservantes.

Na questão hídrica local, observa que os sistemas de tratamento são convencionais e não conseguem eliminar os agroquímicos. A alternativa, segundo ela, é evitar que cheguem às bacias de captação. “É essencial que vereadores e comunidade não se esqueçam de abordar esta questão no projeto do Plano Diretor em tramitação na Casa”, alertou. A vereadora Denise Pessôa/PT sugeriu ampliar as discussões em torno da possibilidade de proibir o uso de agrotóxicos em área de bacia de captação.





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