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A cada três minutos, uma pessoa desenvolve demência

Doença cresce em todo o mundo e deve triplicar até 2050
02 de outubro de 2019 às 09:53
Foto: Banco de Dados

Muita desinformação e dúvidas sobre uma doença que cresce ao redor do mundo e afeta milhões de pessoas. Foi o que apontou a pesquisa da Alzheimer’s Diease International (ADI), divulgada no mês passado. Conforme o estudo, a maioria das pessoas acha que a demência é consequência normal do envelhecimento e não uma doença. Por isso, o lema deste ano da Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAz) é "Vamos conversar sobre demência".

De acordo com a coordenadora da ABRAz, Silvana Poltronieri Lamers, é necessário trabalhar para que a sociedade aumente a conscientização sobre a demência, diminuindo o estigma ainda associado a essa condição. O relatório da ADI também mostrou que ainda existe um grande estigma sobre as pessoas com Alzheimer.

Por exemplo, a ideia de que as pessoas que vivem com a doença são um peso para a família ou para o sistema de saúde; ou que são pessoas sem esperança ou incapazes de falar por si mesmas. “São questões que reforçam a importância deste tema ganhar maior destaque. De traçarmos estratégias, oferecendo mais educação especializada sobre a demência. Fazer com que os direitos dessas pessoas sejam mais conhecidos e criar políticas públicas que atualmente deixam muito a desejar em todas as esferas”, cobrou.

Com envelhecimento, incidência aumenta

Conforme Silvana Poltronieri Lamers, demência é um nome coletivo dado para síndromes cerebrais que afetam a memória, pensamento, comportamento e emoções. A doença de Alzheimer e a demência cerebral correspondem a cerca de 90% das demências encontradas. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 50 milhões de pessoas ao redor do mundo vivem com demência, com surgimento de 10 milhões de novos casos a cada ano. No Brasil, cerca de 1,4 milhão de pessoas vivem com a doença. “A cada três minutos, uma pessoa ao redor do mundo desenvolve demência. Até 2050, a expectativa é que tenhamos 150 milhões de novos casos”, alertou.

Em Caxias, conforme estudo realizado pela ABRAz junto as 33 casas geriátricas, que atendem cerca de 3 mil pessoas, 90% dos pacientes possuem diagnóstico de algum tipo de demência. “É uma doença progressiva que destroi a memória e outras funções mentais importantes. Pode durar anos ou a vida inteira. As conexões das células cerebrais e as próprias células se degeneram e morrem, eventualmente destruindo a memória e outras funções mentais importantes”.

De acordo com Silvana, até o momento não existe cura para a doença. Mas o uso de medicamentos e cuidados adequados contribuem para uma vida melhor do paciente e dos familiares, além de atenuar a evolução da enfermidade.

Em Caxias, além dos Centros de Apoio, que atendem junto às Unidades Básicas de Saúde, a ABRAz reúne familiares, familiares-cuidadores e cuidadores profissionais para o desenvolvimento de ações em favor das pessoas acometidas pela doença. Atualmente, 70 famílias recebem o assessoramento necessário. A ABRAz também realiza grupos informativos e de apoio. Mais informações pelo telefone (54) 9 8402.4022, Facebook AbrazCaxias ou em http://abraz.org.br/web.

Sintomas mais comuns

FÍSICOS

Perda de memória

Declínio e confusão mental

Dificuldade em pensar, de compreender e de se concentrar

Delírios

Desorientação

Esquecimento

Invenção de coisas

Incapacidade de fazer cálculos simples ou de reconhecer coisas comuns

COMPORTAMENTAIS

Agitação

Agressão

Inquietação

Irritabilidade

Mudanças de personalidade

Repetição sem sentido das próprias palavras

Dificuldade para exercer funções rotineiras

Falta de moderação ou vagar sem rumo e se perder

NO HUMOR

Apatia

Descontentamento geral

Solidão

Fatores de risco

- A idade é o mais reconhecido

- A genética pode representar de 1% a 5% dos casos

- Afeta mais as mulheres do que os homens

- Estilo de vida: beber em excesso, fumar, dieta rica em gordura, estresse e sedentarismo





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