APARTE

25 de setembro de 2019 às 08:40

Férias litorâneas pagas pelo erário

 

Os dados do Portal da Transparência do Município levam a concluir que são verdadeiras as afirmações de vereadores da oposição, como Rodrigo Beltrão/PT, por exemplo, de que o prefeito Daniel Guerra e o irmão dele e chefe de Gabinete, Chico Guerra, estão mesmo tirando férias disfarçadas em participação de eventos de qualificação, preferencialmente, em cidades litorâneas. Nesta segunda-feira (23), coincidentemente, eles viajaram novamente para Fortaleza (CE), pela segunda vez, em cerca de quatro meses. Até o próximo sábado (28), eles participam do Congresso Nacional dos Procuradores dos Estados e do Distrito Federal e do Encontro Nacional Controle Interno. Cada um receberá R$ 2.726 em diárias, fora passagens aéreas e o valor das inscrições. A primeira viagem a Fortaleza foi em 28 de maio. Os manos foram participar do Congresso Brasileiro de Direito e Saúde, que durou quatro dias e rendeu diárias de R$ 2.217 para cada um.

 

DE MANO, ATÉ NO SALÁRIO

 

No acumulado de 2019, o prefeito Daniel Guerra recebeu R$ 24.568 somente em diárias do Município. Somado à média mensal deste valor com o subsídio bruto do cargo, ele recebeu R$ 24.258,78, por mês, brutos do Município. Em apenas sete meses no cargo de chefe de Gabinete, Chico Guerra já recebeu R$ 57.149 em diárias. Além disso, desde maio, quando foi nomeado pelo irmão como conselheiro fiscal da Codeca, recebe mais R$ 1.253,26 por mês para participar de uma única reunião. Estes valores, somados ao subsídio de chefe de Gabinete, de R$ 13.466,88, fazem com que, a partir de maio, o salário bruto de Chico Guerra seja praticamente igual ao Daniel: R$ 22.884,14. O valor é 1/3 maior do que o subsídio de vice-prefeito – função que ele vem, disfarçadamente, desempenhando – que é de R$ 15.078,52. Assim, dentro do princípio de economicidade, era menos oneroso ao Município se Guerra mantivesse no cargo e pagasse o subsídio ao ex-vice-prefeito Ricardo Fabris de Abreu. Na época, ele abriu mão do valor em favor do aparelhamento dos órgãos de segurança pública – fato que, segundo Fabris, nunca chegou a ocorrer.

 

DRIBLANDO A LEI ORGÂNICA

 

Daniel e Chico Guerra estão ausentes da Prefeitura de Caxias do Sul por duas semanas consecutivas. De 17 a 20 de setembro eles viajaram a São Paulo/SP para participar da Conferência "Catalisando Futuros Urbanos Sustentáveis", quando receberam R$ 1.708 em diárias cada um. Na sessão da quinta-feira (19), o vereador Eloi Frizzo/PSB – sem saber que os irmãos iriam viajar juntos novamente esta semana - afirmou que o prefeito ia e vinha de viagem para não ficar 15 dias fora do Município e ter que passar o cargo para o presidente da Câmara, vereador Flavio Cassina/PTB.

 

REAÇÃO EM CADEIA

 

O conflito gerado entre o Executivo e os freis capuchinhos ultrapassaram os limites da sessão da Câmara de ontem. Durante a tarde, o vereador Alberto Meneguzzi/PSB protocolou um pedido de informações ao Executivo. O parlamentar solicitou a cópia de todos os requerimentos, processos administrativos e os despachos do Executivo para o uso de espaços e vias públicas, em 2018 e este ano. O documento ainda não tem data para ser votado.

 

AGENDA POSITIVA

 

Os vereadores Adiló Didomenico/PTB e Rafael Bueno/PDT estão desde ontem (24), em Brasília, em busca de verbas para os hospitais que atendem pelo SUS, em Caxias do Sul Os parlamentares se reuniram com deputados e senadores da bancada gaúcha. Na delegação também estava o diretor-geral do Hospital Geral, Sandro Junqueira, que reivindicou uma verba de R$ 15 milhões para o custeio. Nesta quarta, eles ainda articularão emendas individuais, que devem ser fechadas até outubro, para os hospitais Pompéia e Virvi Ramos.