APARTE

23 de setembro de 2019 às 08:40

De revistas à copa e ao salame

 

A intenção do Executivo de Caxias em utilizar as quatro bancas de revistas e jornais, que foram retomadas pelo Município, como pontos de venda de produtos coloniais e agroindustriais pegou mal entre os autores do projeto de lei, que tramita no Legislativo e transforma os espaços em patrimônio histórico, cultural e imaterial. Conforme um deles, o vereador Rafael Bueno/PDT, “o prefeito Daniel Guerra está fazendo uma cruzada contra cultura, armado de copa e salame”. O parlamentar considera que os feirantes querem é ter o direito de trabalhar. Ele criticou a forma arbitrária da decisão. “Mais uma baita contradição. Ele disse que as bancas tinham que sair dos locais, porque estavam atrapalhando a via pública, que não faziam parte do tal projeto de reforma da Praça Dante”, recordou.

 

TEATRO DO HORROR

 

Outro autor, o vereador Eloi Frizzo/PSB, reiterou que a estrutura física das bancas não é de propriedade do Município. “Um absurdo. Elas são dos permissionários, que, inclusive, estão aguardando uma decisão judicial”, lembrou. Ainda segundo Frizzo, o Legislativo continuará denunciando, na expectativa de uma decisão de órgãos como o Ministério Público e Judiciário. “Está se instalando um teatro do horror, em Caxias do Sul, na medida em que isso vai contra a opinião pública, que defende abertamente o direito que as pessoas tinham de continuar com as bancas, porque elas prestavam serviço de utilidade pública”, afirmou. O terceiro autor do projeto é o vereador Paulo Périco/MDB. Procurado para opinar sobre o assunto, ele não respondeu ao chamado.

 

RENUNCIA OU TIRA

 

O fato de o prefeito Daniel Guerra não ter tirado nenhum dos dois períodos de férias a que já teve direito preocupa vereadores da oposição. Na sessão desta quinta-feira (19), em aparte a Rodrigo Beltrão/PT que criticava as constantes viagens do chefe do Executivo, Eloi Frizzo questionou o imbróglio administrativo e político gerado pela decisão de Guerra. “Na realidade, o que ele está fazendo é tirando férias disfarçadas para impedir que o presidente Cassina assuma a Prefeitura. Esse direito, para mim, do ponto de vista legal ele é inquestionável. Ou ele tira férias ou apresenta um documento renunciando, porque senão, logo ali à frente, ele terá direitos em dobro”, alertou.

 

NÃO EXISTE VICE-REI

 

Rodrigo Beltrão observou que, sem tirar férias, Daniel Guerra poderá, no futuro, entrar na Justiça contra o Município. “É uma crise institucional, onde o prefeito faz uma ruptura do pacto democrático com as lideranças de bairros, com o Legislativo e com o seu vice, porque foi essa a intenção desde o primeiro dia de governo. Não podia ter mais ninguém fazendo sombra, porque não existe vice-rei, existe apenas rei”, avaliou. Conforme o parlamentar, uma atitude premeditada para governar sozinho e favorecer a família. “Indiretamente, na prática, uma usurpação da função de vice por meio do irmão Chico Guerra. Aí fica tudo em família, burla o processo eleitoral e ainda sai viajando, debochando de todo mundo”, criticou.

 

TIRA ALGUM PROVEITO

 

Os irmãos Guerra, Daniel (prefeito) e Chico (chefe de gabinete), voltam nesta sexta-feira de São Paulo/SP, onde participaram, esta semana, da Conferência “Catalisando Futuros Urbanos Sustentáveis”. No evento, municípios que possuem boas práticas em redução das desigualdades receberam o Prêmio Cidades Sustentáveis, que não deve ter sido o caso de Caxias. Fica a pergunta. Também ocorreu o painel "O Impacto do Jornalismo no Desenvolvimento Sustentável". Quem sabe os conhecimentos adquiridos nesta parte da conferência possam servir de reflexão e para abrir os olhos do gestor sobre a necessidade de mudar o comportamento do governo Guerra para com a imprensa, principalmente, no que tange à dificuldade de livre acesso ao primeiro escalão e à omissão de informações.