APARTE

27 de agosto de 2019 às 08:40
Foto: Gabriela Bento Alves, Divulgação

Venceu a teimosia

Desde ontem, oficialmente, Caxias do Sul passou a integrar a região turística das Hortênsias. A mudança foi autorizada pelo Ministério do Turismo. O processo que envolveu a alteração durou cerca de dois meses e foi revestido da marca do atual governo: a falta de diálogo e de consenso com a sociedade.

A começar pela decisão de sair da região da Uva e do Vinho e ingressar na das Hortênsias. Medida adotada a portas fechadas do gabinete do prefeito, transferindo o ônus de um referendo ao Conselho Municipal de Turismo (Conmtir), que mal teve tempo de discutir a questão e foi obrigado a emitir um parecer, sem pensar nas consequências, ou seja, a aversão de grande parte da sociedade de Caxias do Sul.

Mas para toda má decisão há o tempo para afirmar quem tinha razão. Depois de uma desastrosa falta de gestão do turismo, em 32 meses de governo, quem sabe, a partir de agora, sobre para Caxias, uma migalha do que Gramado e Canela, por exemplo, tão bem sabem fazer neste setor.

 

IMPEROU O CONSENSO

A eleição de Ari Dallegrave para comandar o MDB de Caxias nos próximos dois anos demonstra que o partido amadureceu nos últimos quase três anos. O fato de os filiados se aclamarem ele como o líder que vai comandar a sigla, nas próximas eleições, talvez seja um sinal de que os emedebistas reconheçam como mais coerente, hoje, que a proposta que Dallegrave defendeu no pleito, quem sabe, não teria sido a mais correta.  

Na época, ele trabalhou pela candidatura própria à Prefeitura de Caxias, e não, a coligação para ser coadjuvante de Edson Néspolo/PDT. Ocorreu que o partido devia, moralmente aos pedetistas, concorrer junto a mais uma gestão à frente do Executivo. Isso porque a sigla havia votado coesa em torno de José Ivo Sartori, por duas eleições consecutivas. Vencido na convicção, decidiu se afastar da presidência e somente retomou o cargo, depois do segundo turno.

 

RECADO DAS URNAS

Circunstâncias e acordos políticos a parte, o MDB perdeu a majoritária, mas fez uma das duas maiores bancadas de oposição ao prefeito Daniel Guerra/Republicanos, com quatro vereadores – a mesma bancada feita pelo colgado PDT. Este também foi o mesmo Fato que revelou o poder de voto da sigla.

Contudo, há pouco mais de um ano da nova eleição, a palavra de ordem é reunificar a sigla , quem sabe, desta vez, em um objetivo claro, de retomar o protagonismo e apresentar um nome à sucessão de Guerra. Sartori mantém a tradicional estratégia da bocca chiusa. Por outro lado, logo depois das eleições do ano passado, Carlos Búrigo chegou a disponibilizar o nome para uma chapa liderada pela sigla.

 

IMPLICAÇÕES

Conforme acordo realizado no início desta legislatura, em 2017, no ano que vem, quem assume a presidência da Mesa Diretora da Câmara de Vereadores é o PDT. O nome mais cotado sempre foi o de Ricardo Daneluz. Porém, esta estimativa poderá se alterar, na hora de a sigla formalizar a indicação.

Isso porque o vereador sofreu um desgaste dentro do diretório municipal, quando protocolou o projeto de extinção do passe livre no transporte coletivo. Mais recentemente, fala em entrar com uma outra matéria polêmica: a redução de 23 para 17 vereadores em Caxias. Ronda ainda a possibilidade dele mudar de partido, na janela que se abrirá em abril do ano que vem.

A instabilidade da permanência dele deverá favorecer a possível indicação de Gustavo Toigo para presidir a Câmara. Isso porque, nos bastidores do Legislativo, comenta-se que Rafael Bueno e Velocino Uez também poderão deixar a sigla, em 2020.