APARTE

15 de agosto de 2019 às 08:40
Foto: Mirian Fonseca, Divulgação

Para que tanto turismólogo?

No art. 29 da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) 2020, o prefeito Daniel Guerra propõe a criação de quatro cargos no Legislativo, 75 na administração indireta (Samae, Codeca e FAS) e mais 641 na Prefeitura. Entre estes, o curioso é que ele propõe à Câmara de Vereadores que autorize a criação de mais dois novos cargos de turismólogo. Casualmente, a função que a secretária de Turismo, Renata Carraro, concorreu à vaga única no recente concurso do Município, mas ficou em segundo lugar. Afora a possibilidade de ela ser nomeada, no último ano da atual gestão, a criação das vagas quadriplicaria, em pouco mais de um ano, passando de uma, atualmente ocupada, para quatro até de 2020 – ano das eleições municipais.

Também há de se considerar que, na atual conjuntura, não se justifica a criação de novas vagas, tendo em vista a total inoperância da gestão do turismo por parte do Executivo. O Município está em meio a uma pendenga, causada pelo governo - que sob o protesto de toda a sociedade e amparado em um parecer do Conselho Municipal de Turismo – insiste em sair da histórica e tradicional Região da Uva e Vinho e ingressar na das Hortênsias. Teimosia esta a despeito até mesmo do governo do Estado, que tenta reverter a maior consequência do impasse: Caxias do Sul ficou de fora do Mapa Turístico do Brasil.

 

DE IRMÃO PARA IRMÃO

O PDT de Caxias do Sul protocolou, nesta quarta-feira, no Ministério Público, uma denúncia de indícios de nepotismo contra o prefeito Daniel Guerra. O motivo é a nomeação do irmão dele, Chico Guerra, para o cargo de chefe de Gabinete da Prefeitura e para o Conselho Fiscal da Codeca. A alegação é de que as nomeações ferem o princípio constitucional da moralidade, demonstrando indícios de nepotismo. Entre os dois cargos, Chico recebe mensalmente, dos cofres públicos, mais de R$ 14 mil. O documento foi protocolado pelo presidente do diretório municipal, Maurício Flores, e pelo advogado Lucas Diel. Segundo ele, os atos do prefeito ferem a Súmula Vinculante nr. 13 do Supremo Tribunal Federal e o Art. 37 da Constituição Federal. Flores considera que a Justiça vai julgar a legalidade das nomeações.

 

PEREGRINAÇÃO

A vereadora Gladis Frizzo/MD utilizou a tribuna da Câmara, ontem (14), para prestar contas de uma viagem à Brasília, em busca de recursos para Caxias. Ela disse que esteve nos gabinetes de deputados e nos ministérios para reivindicar verbas para um projeto de pavimentação, em Forqueta. Ela relatou que, no gabinete do deputado federal Giovani Feltes/MDB, encontrou um grupo de empresários de Caxias, que estão preocupados com os rumos da economia local e nacional. Gladis contou ainda a descoberta de que o Executivo de Caxias deixou de apresentar projetos na área turística, perdendo verbas para cidades vizinhas. “Quando estivemos no Ministério do Turismo, no dia anterior, o prefeito Daniel Guerra esteve lá, sim, juntamente com a secretária do Turismo”, enfatizou. Naquele dia, o prefeito e Renata Carraro foram protocolar o projeto de construção do mirante do Parque dos Macaquinhos, orçado em R$ 787 mil.

 

TECNICAMENTE, NA OPOSIÇÃO

O projeto de emenda à Lei Orgânica Municipal que proíbe a utilização política dos Símbolos do Município foi assinado por 17 vereadores. Entre eles, o ex-líder de governo, vereador Elisandro Fiuza/Republicanos. Utilizando um termo utilizado pelo atual líder, Renato Nunes/PR, em recente pronunciamento no Legislativo, a atitude de Fiuza “tecnicamente” deixa na dúvida se ele ainda faz parte da bancada aliada ao governo do prefeito Daniel Guerra, em plenário. O parlamentar, inclusive, já votou a favor da derrubada de vetos, além de votar a favor de matérias que o próprio Nunes defendeu a rejeição. Uma delas foi a que institui o ensino da Língua Brasileira de sinais (Libras) na rede escolar municipal.