APARTE

31 de julho de 2019 às 08:40
Foto: Gabriel Bento Alves, Divulgação

Não terá mais desculpa

No mesmo dia em que foi anunciada publicamente a determinação da Justiça para a saída imediata da Metalcorte (Voges), do complexo da Maesa, o processo de ocupação da estrutura por parte do Município foi tema de um pedido de informações aprovado, por unanimidade, pelo plenário da Câmara de Vereadores. O requerimento é de autoria dos vereadores Denise Pessôa/PT e Felipe Gremelmaier/MDB. Os parlamentares alegam a morosidade do trabalho da comissão de ocupação da área, formada pelo Executivo, em fevereiro de 2017. Também questionam sobre os esclarecimentos prestados pelo governo à Procuradoria-Geral do Estado (PGE) sobre a utilização do espaço público pelo Município.

Com a saída iminente da Voges, o poder público perderá uma das principais desculpas, utilizadas para não se apropriar da estrutura. No Legislativo, alguns vereadores da oposição acreditam que se trata de uma estratégia do gestor para que o Município perca a concessão. Na sessão de ontem, por exemplo, Gremelmaier disse que a PGE está fiscalizando o cumprimento do prazo de ocupação. “Caso isso esteja ocorrendo, o Município poderá perder a concessão”, alertou.

 

GRITA, ELES SE MEXEM

Na defesa do pedido de informações sobre a Maesa, a vereadora Denise Pessôa/PT criticou a inércia da comissão formada há dois anos e meio para estudar a ocupação do complexo. “A gente não tem visto movimentações da comissão permanente. Algumas pessoas, inclusive, que fazem parte dessa comissão e estavam naquela atividade Abrace a Maesa, diziam não ser convocadas para reuniões”, revelou.

Na avaliação de Denise, foi só o ofício enviado pela PGE – que o Executivo disse que não havia recebido e foi desmentido em plenário – ser divulgado publicamente, “que apareceu um seminário que também não foi construído com esse grupo que lutou pela Maesa. Queremos saber se este governo está fazendo malabarismo para enganar a população, para dizer que está fazendo algo ou se está fazendo algo realmente concreto e que garanta a Maesa para Caxias do Sul”.

 

COMPORTAMENTO CHUPIM

Na sessão legislativa desta terça-feira, quando comentava sobre o que chamou de incapacidade de o atual governo em fazer obras - como o ginásio de Fazenda Souza, em terreno doado pelo Samae, na gestão dele como diretor-presidente da autarquia – o vereador Eloi Frizzo/PSB se referiu ao episódio da última semana, quando o prefeito Daniel Guerra utilizou uma missa na comunidade para se promover politicamente. No ato, assinou a ordem de início do asfaltamento entre o distrito e Vila Seca. De acordo com o socialista, uma obra que o governo anterior já havia deixado o projeto pronto e a verba encaminhada. “O atual prefeito está botando ovo no ninho dos outros. Por isso, disse que virou um chupim. É só o que ele sabe fazer: botar ovo no ninho dos outros”, comparou.

 

PALMAS PARA O PREFEITO?

Durante o debate sobre o caso da Escola Arlinda Manfro, ontem, na Câmara, o vereador Paulo Périco/MDB causou espanto, quando começou a elogiar a decisão do Executivo em transferir os estudantes de São João da 4ª Légua para Galópolis. “Temos que cumprimentar o prefeito pela sua atitude. Ele está de parabéns por levar as crianças lá para aquela localidade. Acho que o que ele está fazendo, realmente, está pensando na educação”, afirmou.

Na sequência, explicou o motivo da ironia. Na opinião de Périco, Daniel Guerra só faz o contrário do que a comunidade quer. “E quanto mais nós falarmos bem do prefeito, vamos usar o contraditório, porque ele vai fazer o contrário do que nós, efetivamente, queremos”, explicou. Périco também criticou a proibição da Smed para que vereadores visitem as escolas municipais sem autorização do órgão público.