APARTE

26 de julho de 2019 às 08:40
Foto: Daniel Bianchi, Divulgação

Pirotecnia circense, agora, na igreja

Depois de tanto acusar o rival na eleição de 2016 - Edson Néspolo/PDT – de fazer pirotecnia circense na campanha política, na noite desta quarta-feira (24), o prefeito Daniel Guerra se valeu, pela segunda vez, este ano, da estratégia que condenou. Ele transformou o altar da Igreja Matriz de Fazenda Souza em palanque eleitoral. Foi durante a missa celebrada pelo Frei Jaime Bettega, na abertura do 1º Partito de La Colonia - evento preparatório à 11ª Festa do Agricultor, que será realizada no ano que vem.

No altar, Guerra perfilou o irmão e chefe de Gabinete, Chico Guerra; o secretário de Obras, Leandro Pavan; e o representante da construtora, engenheiro Rafael Sacchi, entre outros integrantes do primeiro escalão do governo. O cenário foi montado para a assinatura da ordem de início de asfaltamento da Estrada Municipal Patrício Pasquali (Fazenda Souza a Vila Seca). Na primeira pirotecnia do ano, em fevereiro, na reunião-almoço da CIC Caxias - onde era o palestrante - Daniel Guerra também montou um circo para se promover politicamente e o secretariado. Na época, todos tiveram que comparecer ao evento.

 

DESPRESTÍGIO

Depois utilizar o altar da igreja onde frei Jaime rezava missa, na manhã desta quinta, Daniel Guerra não foi tão cortês como o religioso. O prefeito não compareceu à solenidade alusiva ao Dia da Cultura e da Paz, no Centro de Cultura Ordovás, onde Bettega foi homenageado. No lugar dele, mandou o secretário da Cultura, Joelmir da Silva Neto.

 

FORA DE PROPÓSITO

Na missa, também subiram ao altar e foram perfilados os secretários Júlio Freitas (Saúde), Patrícia Haubert (Geral), Renata Carraro (Turismo), Márcia Rohr da Cruz (Esporte e Lazer) e a presidente da Fundação de Assistência Social (FAS), Rosana Menegotto. A exemplo de Chico Guerra, a presença deles em destaque não teria nenhuma justificativa a não ser a promoção do governo. 

 

PREFEITO COADJUVANTE

O fato ocorrido em Fazenda Souza correu cedo na sessão da Câmara de Vereadores. Segundo Paulo Périco/MDB, o prefeito se utiliza de eventos da comunidade para poder ser comunicar com a população. “O senhor se esconde atrás do frei Jaime para apresentar projetos. Não consegue fazer um evento com pessoas da cidade, porque não teria ninguém, a não ser os seus CCs e cupinchas. Esses lotariam ou comprariam os ingressos, como na reunião-almoço da CIC”, afirmou Périco.

 

FALTA DE PREPARO

Eloi Frizzo/PSB também comentou a situação ocorrida na Matriz de Fazenda Souza. Em aparte ao vereador Ricardo Daneluz/PDT, que comentava sobre o evento, o socialista questionou sobre o despreparo da administração municipal para construir a unidade e conviver com a oposição. “Espero que não tenha referido lá que ele sancionou a lei que declara a Festa do Agricultor como evento oficial do Município. Provavelmente, porque ele teria que citar o meu nome também, assim como não citou de V.Sa. É um despreparado, um desrespeito total na forma como conduz o Município. Ele vê na oposição, inimigos e adversários”, avaliou.

 

UM CONTRA TODOS

No entendimento do vereador Edson da Rosa/MDB, depois da eleição, o governante precisa filtrar interesses e avaliar as boas ideias para colocar em prática durante a gestão. Citando o recente caso do fechamento das bancas, concluiu: “É uma questão comportamental analisar e não criar uma zona de conflito no Município. Tem as coisas que lhe competem da parte da gestão, mas tem também toda uma questão emocional. E não tem nenhum problema se tivesse conversado com as pessoas do segmento e tentado juntos construir uma solução. Que me parece que aí tem um problema de atrito, de querer um contra o outro, conflituoso”.