Fernando Santos

APARTE

24 de julho de 2019 às 08:40
Foto: Gabriela Bento Alves, Divulgação

Um conflito a cada cinco dias de governo

A notícia da ação movida pelo prefeito Daniel Guerra contra o vereador Rafael Bueno/PDT foi a origem de dois fatos, ontem (23), na Câmara de Vereadores. O primeiro deles foi a marca de 200 conflitos do atual governo com a comunidade, segundo levantamento realizado pelo vereador Adiló Didomenico/PTB, desde 1º de janeiro de 2017. A estatística revela que, em 933 dias de gestão, foi uma polêmica, em média, a cada 4,6 dias. Conforme a lista, o conflito de número 1 ocorreu ainda no primeiro mês de administração: Daniel Guerra exigiu que os servidores médicos efetivos marcassem o ponto eletrônico e cumprissem a carga horária de forma integral. O segundo, também em janeiro daquele ano, foi congelar a tarifa do transporte coletivo. A decisão motivou uma ação de indenização por perdas, por parte da Visate – que até hoje não teve o mérito julgado pela Justiça.

 

POLÊMICA DO VICE-PREFEITO

Outro conflito, catalogado por Adiló como número 5, foi a briga política instaurada contra o ex-vice-prefeito Ricardo Fabris de Abreu, na época no partido do prefeito, o PRB, e hoje filiado ao Patriota. Depois de se sentir relegado por Daniel Guerra dentro do governo, Fabris declarou publicamente que iria renunciar, porém, mudou de ideia antes da data marcada. A partir do fato, ocorreram dezenas de episódios, como uma ação de extinção do mandato do vice, impetrada na Justiça. Fabris ganhou o processo, pois somente a Câmara de Vereadores pode extinguir um mandato eletivo do Executivo. Passados quase três anos, esta semana, Ricardo Fabris reapareceu no cenário político de Caxias do Sul. Com a filiação ao Patriota, surge como pré-candidato à sucessão de Daniel Guerra, nas eleições do ano que vem.

 

PAU QUE DEU EM CHICO, DEU EM FRANCISCO

A ação por danos morais movida pelo prefeito Daniel Guerra contra o vereador Rafael Bueno/PDT também motivou uma reação por parte de Eloi Frizzo/PSB, na sessão desta terça-feira. O socialista já havia decidido votar pelo aspecto jurídico, favorável ao arquivamento da denúncia de quebra de decoro parlamentar de Chico Guerra/Republicanos. Entretanto, o fato fez com que ele mudasse de ideia e fizesse um desagravo ao pedetista. “Numa das minhas primeiras falas aqui, nesta legislatura, usei uma expressão que é comum no meio político: Pau que dá em Chico, dá em Francisco. Entendo que a iniciativa do prefeito de lhe processar por conta das suas palavras e aqui é um grande equívoco. Quem acompanhou a legislatura passada sabe, ouviu e viu as manifestações do então vereador Guerra. A mais simplesinha, atacando o prefeito Alceu Barbosa Velho, era chamá-lo de Dilma de Bombacha. E com esse processo que o prefeito move contra V. Sa. eu me sinto liberado para votar politicamente também com relação ao processo do vereador Chico Guerra”, afirmou.

 

DUAS VEZES DESMENTIDO

O líder de governo no Legislativo, vereador Renato Nunes/PR, foi desmentido duas vezes, na polêmica sessão de ontem. Na primeira vez, pelo vereador Renato de Oliveira/PCdoB. Em resposta à declaração do comunista sobre o descaso do atual governo sobre o prédio do antigo INSS, Nunes apresentou um vídeo, onde cobrou solução dos governos Sartori e Alceu. “Mesmo que outros prefeitos quisessem fazer alguma obra, o prédio passou a pertencer ao Município a partir de janeiro de 2017”, explicou Oliveira, em aparte a declaração posterior de Rafael Bueno/PDT. Mais adiante, o próprio Bueno explicou por que Alceu Barbosa Velho não construiu o Hospital Materno-Infantil no local, conforme mostrado no vídeo da campanha dele, em 2012, por Renato Nunes. “Ou o senhor [Renato] sofre de amnésia ou se faz de ignorante. Além de prometer, ele [Alceu] fez uma obra em conjunto, através de diálogo, com o Hospital Geral e com o Estado. Cada um entrou com R$ 4 milhões. E era para teu prefeito Daniel Guerra repassar mais R$ 4 milhões. Sabe o que ele fez? Deu um calote no Hospital Geral”, afirmou.