Economia

UCS terá planta industrial para produção de grafeno

Obtido a partir da reordenação de moléculas do carbono, material é o mais leve e resistente que existe, com altíssima condutividade térmica e elétrica
28 de maio de 2019 às 12:54
Foto: Cláudia Velho, UCS, Divulgação

O pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da Universidade de Caxias do Sul (UCS), Juliano Rodrigues Gimenez, confirmou que a instituição iniciará a produção de grafeno, em escala industrial, com projeção inicial de 200 a 500 quilos por ano. Na reunião-almoço da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços (CIC) desta segunda (27), o pró-reitor destacou que o mercado mundial de grafeno é avaliado entre 150 milhões e 550 milhões de euros anuais para os próximos cinco anos. A UCS está envolvida no processo de pesquisa do material desde 2004.

As possibilidades de aplicação do grafeno são variadas e em diferes áreas. São exemplos, baterias de telefones celulares carregadas em minutos, dispositivos móveis com capacidade multiplicada de armazenamento e processamento de dados, sistemas de transmissão de sinais muito mais eficientes, painéis solares ultrapotentes, roupas com isolação térmica, tintas para ambientes externos com altíssima durabilidade e filtros capazes de limpar águas contaminadas. Os primeiros estudos da UCS se centraram em estudos em nanotecnologia, medicina regenerativa, revestimentos avançados e segurança militar.

Os pesquisadores da UCS trabalham com alternativas distintas para o desenvolvimento de tecnologias que reduzam o custo de produção. O coordenador do Programa de Pós-Graduação em Engenharias de Processos e Tecnologias, Ademir José Zattera, atua com três rotas metodológicas físico-químicas como técnicas produtivas, visando encontrar a mais economicamente viável para oferecer o 'know-how' ao mercado. O objetivo é a separação das camadas do grafite para a obtenção de folhas de grafeno. Já o professor dos programas de pós-graduação em Engenharia e Ciência dos Materiais e em Ciências da Saúde, Otávio Bianchi, trabalha com a remoção do óxido e de metais aderidos ao grafite, buscando a obtenção de grafeno de elevada pureza, o que exige várias etapas de purificação. "Dominando o conhecimento sobre o grafeno podemos nos antecipar aos movimentos do mercado, criando soluções para as mais diferentes demandas", aponta Bianchi.

O professor do Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Processos e Tecnologias, Diego Piazza, atua na articulação entre os pesquisadores e empresas para que os avanços revertam em soluções para necessidades do mercado, contribuindo com novas perspectivas para a matriz produtiva de Caxias do Sul e da região. "O grafeno tem sido visto por muitos como o combustível necessário para alavancar o desenvolvimento regional, gerando produtos inovadores”, salienta.

Acordo prevê aplicações para o setor metalmecânico

A transformação dos resultados das pesquisas da UCS sobre o grafeno em soluções para o mercado avança para a instância de providências práticas. Na semana passada, representantes da Fundação Universidade de Caxias do Sul, da UCS, da 2D Materials (empresa com sede em Singapura que detém expertise na produção do material) e da Marcopolo assinaram termo de cooperação técnico-científica com o objetivo de permitir a contratação e o desenvolvimento de pesquisas, projetos e serviços técnicos e tecnológicos em materiais avançados, especialmente o grafeno. O acordo tem validade de cinco anos. De acordo com o pró-reitor Juliano Rodrigues Gimenez, a cooperação permitirá o direcionamento da produção e de pesquisas sobre grafeno tomando por base possíveis aplicações para diferentes setores, entre eles o metalmecânico.