Cidades

Serra Gaúcha não tem bancos de leite humano

Projeto para montar estrutura está paralisado por falta de repasses do governo federal para continuidade de obra física no Hospital Geral
05 de junho de 2019 às 13:12
Foto: Divulgação

Entre 2008 e 2018, cerca de 2 milhões de recém-nascidos foram alimentados com leite doados por 1,8 milhão de mulheres em todo o Brasil. Segundo dados do Ministério da Saúde, todos os anos, cerca de 330 mil crianças nascem prematuras ou abaixo do peso normal (com menos de 2,5 kg). Porém, a quantidade de leite materno coletado supre somente 55% da demanda real. O objetivo do Ministério é elevar o número de doadoras em 15%. No entanto, o procedimento só pode ser realizado em hospitais que tem banco de leite humano, atualmente 225 em todo o Brasil, dos quais 10 no Rio Grande do Sul, e nenhum na Serra.

No Hospital Geral (HG) de Caxias do Sul, conforme a enfermeira e vice-coordenadora da iniciativa Hospital Amigo da Criança do HG, Priscila de Oliveira, o projeto para a construção do Banco de Leite está validado pelo Ministério da Saúde. No entanto, sem previsão de inauguração, pois o espaço será junto ao novo prédio do HG, que está com as obras paralisadas devido à falta de liberação de recurso pelo governo federal. “Quando inaugurado, será uma conquista muito importante para toda 5ª Coordenadoria da Saúde. Muitas mães nos procuram para fazer a doação do leite excedente, procedimento que não podemos exercer sem o banco. No Brasil, é proibida a amamentação cruzada sem que sejam feitos todos os exames que atestam a segurança do leite. Estes procedimentos são realizados no Banco de Leite”, salientou.

O HG apoia o aleitamento materno exclusivo até o sexto mês de vida. Após, complementando com outros alimentos até os dois anos ou mais. Quando há excesso de leite, Priscila explicou que o mesmo pode ser retirado e guardado na geladeira por até 12 horas e por até 15 dias congelado e ofertado unicamente para o seu bebê. “Para as mamães que não estão produzindo a quantidade necessária, repassamos algumas dicas para aumentar a produção: sempre oferecer o peito ao bebê, mesmo que não esteja saindo leite; aumentar a ingestão de água e colocar compressas mornas nas mamas. Com o Banco de Leite, poderemos recolher e encaminhar leite enquanto a produção se normaliza. Mas, por enquanto, o complemento da alimentação do bebê se dá por meio de fórmulas artificiais”, frisou.

No Hospital Pompéia, a enfermeira do Centro Obstétrico, Mariane Robaina, informou que, por enquanto, não há projeto para a implantação de um banco de leite humano, mas que seria muito bom. “Com certeza teria demanda. Mas se trata de uma situação que pode ser resolvida com algumas práticas. Para os bebês que estão internados na Unidade de Terapia Intensiva neonatal, as mães fazem a retirada do leite, que será dado para o seu próprio filho. E quando a geração de leite é insuficiente são ofertados complementos específicos”, salientou.

Clarice Martins, nutricionista da Secretaria da Saúde, disse que a política adotada na rede municipal é toda de incentivo ao aleitamento materno exclusivo até o sexto mês de vida. A partir de então, a indicação é introduzir uma alimentação complementar com a continuidade do leite materno até dois anos ou mais. “Todas as nossas equipes estão capacitadas para repassar orientações de como proceder, inclusive quando a produção do leite está deficitária. Quanto mais se coloca a criança no peito para mamar, mais leite é produzido. Fazemos todo o acompanhamento até que a situação seja normalizada”, frisou.

 

Benefícios

 

- 300 ml de leite materno podem ajudar até 10 recém-nascidos por dia;

- A amamentação ajuda a reduzir a mortalidade infantil;

- A amamentação traz vários benefícios à saúde da mulher, como a redução das chances de desenvolver câncer de mama, útero e ovário;

- Tem tudo o que o bebê precisa até os seis meses de idade, inclusive água;

- Protege a criança contra diarréias, infecções respiratórias e alergias;

- Reduz em 13% a mortalidade em crianças menores de cinco anos;

- Reduz o risco de hipertensão, colesterol alto, diabetes e obesidade na vida adulta