Comunidade

Produção de alho atende 50% do consumo interno

Terceiro maior produtor nacional de alho ao lado de Santa Catarina, o Rio Grande do Sul tem 1,5 mil hectares cultivados, dos quais 90 % situados na Serra Gaúcha. Anualmente, colhe 1,5 milhão
19 de março de 2019

Terceiro maior produtor nacional de alho ao lado de Santa Catarina, o Rio Grande do Sul tem 1,5 mil hectares cultivados, dos quais 90 % situados na Serra Gaúcha. Anualmente, colhe 1,5 milhão de quilos. Volume que pode ser alterado em função das técnicas utilizadas e do clima. Ausência de irrigação e de pelo menos 800 horas de frio comprometem o desenvolvimento da planta. “É uma cultura que, na região, envolve de 600 a 700 famílias, formadas por três a quatro pessoas. Na época do plantio, de junho a julho, e da colheita, de outubro a novembro, há contratação significativa de trabalhadores”, salientou o vice-presidente da Associação Nacional dos Produtores de Alho, Olir Schiavenin.

No Brasil, a cultura do alho ocupa 11 mil hectares, com produção que varia de 130 milhões a 140 milhões de quilos anuais. “Se não tivéssemos a constante preocupação das importações sem critérios, que desvalorizam o que é produzido aqui, poderíamos tranquilamente dobrar estes números. Nossa produção atual atende somente 50% do que é consumido internamente”, frisou.

Dentre as novidades apresentadas pela Anapa neste ano está a contratação de um diretor-executivo e a montagem de um escritório de advocacia em Brasília para trabalhar em diversas frentes. Entre elas, o antidumping (termo usado para designar a prática de colocar no mercado produtos abaixo do custo com o intuito de eliminar a concorrência e aumentar as quotas de mercado). “Precisamos estar onde as decisões são tomadas. Vamos lutar com mais força para que governantes não decretem medidas que venham nos prejudicar. Não falo somente do segmento do alho, mas do Brasil com um todo, pois estamos todos interligados. O governo precisa primeiramente trabalhar pelo bem comum de sua Nação. Portanto, deve manter e fortalecer ferramentas que impeçam de nos colocar frente a uma competição desleal, principalmente com o alho vindo da China”, cobrou.

Schiavenin disse ser importante que os produtores continuem investindo em pesquisa, melhores sementes e técnicas mais avançadas de cultivo, o que contribui para a diminuição do custo de produção. “Hoje, para se produzir um quilo é necessário investir de R$ 5 à R$ 6. O meio mais simples para baratear seria aumentar a produtividade. O que é inviável no momento pela atual situação política e econômica. Além disso, comercializamos, em média, a R$ 1 acima da graduação do alho. A maior classificação é oito, mas a maior parte produzida na região fica entre cinco e seis. O ideal seria recebermos de R$ 1,5 a R$ 2 acima da graduação”, explicou. Dentre os municípios de maior produtividade da Serra Gaúcha destaca-se São Marcos, com 190 hectares, e Flores da Cunha, com 70 hectares. No Brasil, os maiores produtores são os estados de Goiás e Minas Gerais.