Política

Para vereadores, conduta de Bolsonaro constrange brasileiros

A proximidade de fechamento dos primeiros 100 dias de governo do presidente Jair Bolsonaro/PSL foi tema de pronunciamento do vereador Eloi Frizzo/PSB, na sessão desta quarta-feira (3). O Partido
04 de abril de 2019

A proximidade de fechamento dos primeiros 100 dias de governo do presidente Jair Bolsonaro/PSL foi tema de pronunciamento do vereador Eloi Frizzo/PSB, na sessão desta quarta-feira (3). O Partido Socialista Brasileiro é oficialmente declarado de oposição ao atual governo federal e faz parte de um bloco formado juntamente com o PT e o PCdoB. O parlamentar argumentou que, apesar de problemas locais e estaduais, o Legislativo de Caxias não pode deixar de avaliar as questões nacionais, tendo em vista a implicação delas em nível local.

Eloi Frizzo começou a avaliação falando sobre as viagens de Bolsonaro ao exterior, inicialmente, pela visita que fez ao Chile. “A fala foi um escândalo, onde o próprio presidente do Chile acabou desmentindo o que foi dito, tanto dos ministros do governo Bolsonaro quanto a sua própria. Dizendo que, para que o Chile saísse do seu estado de letargia, do ponto de vista econômico, foi preciso rolar sangue, alguma coisa nesse sentido”, analisou.

Com relação à viagem aos Estados Unidos, criticou uma suposta submissão ao poderio do país norte americano. “Sem querer ofender, mas só faltou pedir para dormir com o presidente Trump. Oh! Quero dividir o quarto contigo. É só o que faltou, porque se ajoelhou, se acocorou perante o presidente americano. Fora as questões que foram levantadas, que mexem especialmente com a soberania nacional”, avaliou.

Já referente ao roteiro em Israel, o socialista afirmou que Bolsonaro constrangeu, principalmente, os empresários e as pessoas que trabalham na agricultura, porque o Brasil tem parceiros no mundo árabe. “Hoje, o Brasil exporta para o mercado árabe milhões e milhões de aves. Praticamente, depende desse mercado. E aí o senhor Jair Bolsonaro vai lá e diz que ainda não foi o tempo, mas vão abrir um escritório comercial em Jerusalém, que é só o primeiro passo para a transferência da capital”, ponderou.

RESTRIÇÕES

Também integrante da bancada do PSB, Alberto Meneguzzi afirmou não ter sido eleitor de Jair Bolsonaro, porém, disse torcer pelo sucesso do governo dele. Mesmo assim, criticou algumas atitudes do presidente. “Não me surpreendem algumas ações deste presidente eleito, porque ele sempre exaltou a tortura. Ele sempre chamou refugiados de escória. Ele sempre comparou, por exemplo, adoção gay com pedofilia. Ele elogia milícias. Os filhos dele homenageiam milicianos. Há investigação a respeito de relações com milicianos no Rio de Janeiro, enfim, é uma série de coisas que vêm, inclusive, depois da posse dele”, criticou.

O QUE DISSERAM...

RAFAEL BUENO/PDT

“O estopim dessa visita aí a Israel foi a fala do filho do presidente Jair Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro. Para que mexer com quem está quieto? Ele mexeu com o grupo Hamas, um grupo extremista, vereador, falando o seguinte: ‘Quero que vocês se explodam’. Sabe o que é mexer com o Hamas? Então, é uma situação que não precisaria estar criando um conflito internacional para o nosso país”.

ADILÓ DIDOMENICO/PTB

“O Brasil tem que manter uma postura de neutralidade como sempre manteve, isso é salutar. Vamos criar problema onde não tem, para nós. Então me preocupa muito. Também está discutindo se nazismo foi de esquerda ou de direita. Mas os extremos são nocivos ambos, tanto de esquerda quanto de direita. Os exageros que aconteceram na humanidade sempre foram patrocinados pelos dois lados”.

GUSTAVO TOIGO/PDT

“Entendo que o governo Bolsonaro começa mal. E o presidente Bolsonaro tem enormes dificuldades para governar. Se nomear um ministério de qualidade ainda vai. Mas temos exemplos que se superam, vide a ministra Damares, da Família, da Mulher e dos Direitos Humanos; e os das Relações Exteriores e o da Educação, que é uma pérola, uma bomba por dia”.

PAULO PÉRICO/MDB

“O maior terrorismo não foram as torres gêmeas. O 11 de setembro foi o golpe do Pinochet, no Chile, em 1973, prendendo 60 mil chilenos e colocando no estádio nacional, metralhando a população, seu próprio povo. Terrorismo é quando um governo mata o seu próprio povo. Isso é terrorismo. De fora é outra coisa”.