Política

Mudanças constantes derrubam tese da nova política

Executivo de Caxias faz nova alteração nos dois primeiros escalões e Legislativo critica a forma de condução
02 de maio de 2019 às 12:06
Foto: Gabriela Bento Alves, Divulgação

A sessão da Câmara de Vereadores de Caxias do Sul da terça-feira (30) foi marcada por emoção e muitas críticas. Os trabalhos se iniciaram com a despedida do vereador Tibiriçá Maineri/PRB. O 1º suplente ficou menos de 90 dias no cargo, ocupando a vaga deixada pelo vereador Chico Guerra/PRB, que foi nomeado chefe de gabinete da Prefeitura, no início de fevereiro deste ano.

Tibiriçá fica na história por ter sido o primeiro surdo-mudo a assumir uma cadeira no Legislativo caxiense.

Na tribuna da Câmara, por meio da intérprete de libras, o republicano explicou porque pediu licenciamento do cargo, pela segunda vez. Em 2017, com a saída de Elisandro Fiuza para assumir a Secretaria de Habitação, Tibiriçá, como 1º suplente, deveria ter assumido. Mas preferiu permanecer no Executivo, na condição de coordenador de Acessibilidade, e abriu a vaga para o 2º suplente, Renato Nunes/PR. “Agradeço imensamente a todas as pessoas, o setor administrativo, que são muitas pessoas que organizaram aqui a Casa, especialmente ao presidente Flavio Cassina que teve esse olhar diferenciado. Muito importante a opinião de todos e as parcerias de vocês. Espero retornar para esta Casa em breve. Em breve, estarei aqui com a mesma luta, com a mesma bandeira. Não tenho preguiça de trabalhar, de lutar por essa causa para Caxias do Sul, e agradeço novamente a todos por esta acolhida e ajuda que me deram nesses três meses”, ressaltou.

REPRESENTAÇÃO

Vários vereadores se pronunciaram em solidariedade a Tibiriçá Maineri, destacando a importância do mandato dele como representante das pessoas portadoras de deficiência. Entre eles, Tatiane Frizzo/SD resumiu o sentimento de todo plenário. “Ficamos tristes, acho ser essa a sensação geral aqui. Temos orgulho e as pessoas que dedicaram o voto a você também te queriam aqui na Câmara de Vereadores, fazendo um bom trabalho pelas pessoas com deficiência”, avaliou.

Edson da Rosa/MDB salientou que o mandato dele também simboliza a inclusão social. “A sua figura representa uma parcela da sociedade que tem que estar aqui na Câmara de Vereadores, que são as pessoas que precisam de inclusão. Então, o que a sociedade tem que ver é essa hipocrisia na fala, não de vossa excelência, porque nós aprendemos, o senhor ensinou e ajudou os vereadores a ter outra visão da pessoa que precisa de acessibilidade”, afirmou.

Conivência ou jogo de cartas marcadas?

Apesar da manifestação de apoio de todos os colegas de plenário, a saída de Tibiriçá Maineri para dar lugar à volta de Renato Nunes à Câmara motivou uma série de críticas. Isso porque a despedida dele se deve à decisão do Executivo em mudar novamente alguns cargos em comissão do primeiro e segundo escalões.

O primeiro a questionar e se mostrar indignado foi Kiko Girardi/PSD. “Fiquei muito revoltado, com nojo dessa atitude e tomara que o senhor não tenha sido conivente com ela. É uma palhaçada o que esse prefeito está fazendo. Que volte o Chico Guerra para cá. É muito difícil fazer política desse jeito, desrespeitando as pessoas e os eleitores. Fica aqui o meu abraço, mas tomara que o senhor não tenha sido conivente com isso, vereador”, ressaltou.

Rafael Bueno/PDT também se pronunciou contra a saída de Tibiriçá. Ele se questionou se o republicano concorda com a decisão do prefeito, a quem atribuiu manipulação dos aliados políticos por meio de um jogo de poder. “Ou o senhor é conivente com o toma-lá-da-cá proposto pelo prefeito Daniel Guerra, da mais pura, velha e suja política, ou ele é 100% preconceituoso com os deficientes. O senhor não estava fazendo fiascos, fazendo aberrações, servindo de palhaço como talvez outro [Renato Nunes] que tinha aqui”, comparou.





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