Comunidade

MobiCaxias avança na consolidação de seu projeto

Criado em 2017, quando a economia de Caxias do Sul enfrentava uma de suas piores crises, com fechamento de empresas, fuga de investimentos e corte de aproximadamente 25 mil empregos, o movimento batizado
19 de março de 2019

Criado em 2017, quando a economia de Caxias do Sul enfrentava uma de suas piores crises, com fechamento de empresas, fuga de investimentos e corte de aproximadamente 25 mil empregos, o movimento batizado de Mobilização Por Caxias (MobiCaxias) avançou passos importantes. Em assembleia no último dia 11, ganhou definição jurídica de associação sem fins econômicos e estatuto social para criar um plano de desenvolvimento para 2040.

Articulado há dois anos por representantes de cerca de 30 entidades e instituições, hoje o movimento reúne em torno de 100 voluntários atuando em três grandes projetos prioritários: infraestrutura, atração de investimentos e revitalização do turismo. O detalhamento das ações destas três frentes e o papel da iniciativa privada, poder público e academia no movimento foram tema da reunião-almoço da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul (CIC), nesta segunda-feira (18).

O presidente do Conselho Diretor do MobiCaxias, Carlos Zignani, deu início à apresentação falando dos princípios que deram origem ao movimento. “Lideranças e pessoas que amam a cidade, com visão comunitária, cooperativa e voluntária, se uniram para pensar Caxias para os próximos anos. Estamos juntos nesta jornada, sem ideologias partidárias, crenças individuais ou bandeiras institucionais isoladas”, explicou. Além do Conselho Diretor, a estrutura do MobiCaxias conta ainda um Conselho Geral, que reúne mantenedores, apoiadores e colaboradores, e as três Câmaras Temáticas. A associação possui sede no campus da Universidade de Caxias do Sul.

O reitor da Universidade de Caxias do Sul, Evaldo Kuiava, vice-presidente do MobiCaxias representando o meio acadêmico, ressaltou que a instituição não poderia ficar de fora do movimento. “Em sua essência, a UCS nasceu para ajudar no desenvolvimento do município”, disse. Em nome do poder público, o secretário do Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Emprego, Emílio Andreazza, destacou a importância do movimento na atração de investimentos de grande porte para Caxias do Sul e na geração de empregos. Além disso, enfatizou: “o MobiCaxias tem o papel de elevar o nível do debate na comunidade”. 

 

Câmaras temáticas prioritárias encaminham principais ações

 

O empresário Astor Schmitt, que é vice-presidente do Conselho Diretor representando a classe empresarial, apresentou os principais projetos em estudo pelas câmaras temáticas. Na infraestrutura, por exemplo, o MobiCaxias tem como objetivos trabalhar pela revitalização do Aeroporto Regional Hugo Cantergiani, com a busca junto ao governo estadual da outorga de operação em favor do município. A direção do movimento acredita que a medida garantirá a viabilidade de investimentos à infraestrutura com consequente incremento na oferta de voos. A construção de um novo aeroporto, em Vila Oliva, também está nos planos de atuação do MobiCaxias

No plano rodoviário, as bandeiras são a duplicação da RS-122 de Farroupilha a São Vendelino e a extensão da BR-448, de Sapucaia a Portão, para otimizar a ligação até Porto Alegre. Também é objetivo melhorar o acesso à BR-101 com a duplicação da Rota do Sol e sua possível concessão. Já para a BR-116 o pedido é de retificação de curvas para permitir o tráfego de veículos grandes, como bitrens e ônibus de 15 metros.

A construção de um terminal portuário privado em Torres também mereceu destaque na apresentação de Astor Schmitt. Segundo ele, trata-se de um terminal portuário moderno, produtivo e de baixo custo e que serviria de alternativa para importação, exportação e mercado interno. Para 25 de março está marcada audiência com o governador do Estado para tratar deste assunto e de outras demandas de Caxias do Sul.

O transporte ferroviário segue no radar, mas , de acordo com Schmitt, a solução está mais distante em função das indefinições e dificuldades com as concessões. Para ele, ou há investimento privado na área ou não tem como avançar.

Para a câmara temática de Atração de Investimentos, as principais ações consistem na elaboração de Perfil Socioeconômico de Caxias do Sul. “Precisamos de uma carta de apresentação para o mundo”, resumiu. Também entende que, enquanto houver a guerra fiscal, não haverá outra forma de atrair investimentos que não seja por meio de incentivos. “Ou entramos no jogo ou estamos fora”, sentenciou. Schmitt também destacou a necessidade de financiamentos por instituições de fomento como BRDE e Badesul.

A terceira câmara priorizada, dentre as 13 existentes, é a de turismo. O ponto principal é a necessidade de revitalização do Parque de Eventos da Festa da Uva e adoção de uma gestão eficiente. Uma das alternativas é a concessão da área aos moldes do que já fez Bento Gonçalves.

 

Apoio financeiro e atuação convergente

 

Ao final da sua explanação, o empresário Astor Schmitt fez dois apelos. O primeiro no sentido de que o meio empresarial busque convergência nas suas reivindicações. Entende ser preciso deixar de lado o posicionamento individual para trabalhar coletivamente. “Considero inconveniente quando ouço dizerem que Caxias é rica e não precisa de nada. Até porque o sucesso do passado não é passaporte para sucesso no futuro”, externou.

Schmitt também convocou que haja maior envolvimento financeiro com a MobiCaxias, hoje mantida por sete entidades e que tem arrecadação mensal na casa de R$ 20 mil. “É essencial que haja apoio financeiro também. Se entendemos que o trabalho trará benefícios à comunidade devemos ter a clareza de que precisamos de uma entidade forte”, conclamou.