Política

Executivo manda demolir prédio no Parque dos Macaquinhos

PGM alega estrutura precária, possibilidade de ocupação do local e insegurança aos moradores das imediações
05 de junho de 2019 às 12:39
Foto: Gustavo Tamagno, Divulgação

Assim como foi a remoção de uma das bancas de revistas e jornais da Praça Dante Alighieri, ocorrida na tarde do dia 24 de maio, sem aviso prévio à população, na manhã desta terça-feira (4), o Executivo de Caxias do Sul demoliu mais um prédio de sua propriedade. Eram cerca de 9h, quando uma retroescavadeira da Secretaria Municipal de Obras e Serviços Públicos começou a derrubar o prédio onde funcionava a antiga lancheria do Parque dos Macaquinhos, localizada na Avenida da Vindima, na rua lateral ao passeio público.

A família do último concessionário, cujo contrato vigorou durante 32 anos, decidiu entregar o imóvel no mês passado. O motivo teria sido a insegurança no entorno do parque, resultando em vários assaltos ao estabelecimento, fechado há mais de três meses.

BEM INSERVÍVEL

A Procuradoria-Geral do Município (PGM) confirmou que o imóvel havia sido devolvido ao poder público, em maio, pela falta de segurança do local, alegada pela família do cessionário já falecido. Segundo a procuradora Cássia Fernanda Kuhn, técnicos do Município avaliaram o imóvel e concluíram que não havia mais condições de o prédio ser utilizado para qualquer atividade comercial, devido à precariedade da estrutura. Fato que motivou o Executivo em optar pela demolição. “O prédio estava com a estrutura bastante comprometida. Se ficasse ali, certamente viraria um ponto de tráfico de droga ou ocupada para fins de moradia de alguma pessoa e ficaria ruim ter esse tipo de habitante no parque”, declarou. Ainda de acordo com Cássia, o governo fiscaliza outros prédios públicos semelhantes.

Em dois anos e cinco meses de governo, esta foi a quarta edificação de propriedade do Município demolida pelo governo. A primeira foi em 2017, logo depois de o prefeito Daniel Guerra/Republicanos assumir a prefeitura. Na época, o Executivo mandou derrubar o quiosque onde funcionava um chaveiro, na Rua Alfredo Chaves, em uma das entradas de acesso ao Parque dos Macaquinhos. O seguinte, em novembro do ano passado, foi o prédio que abrigava o Centro Comunitário dos loteamentos Vila Romana e Santa Helena, no Desvio Rizzo. Há 15 dias a banca de jornais e revistas, localizada na Praça Dante Alighieri, pela avenida Julio de Castilhos, também foi removida.

Périco critica destruição do patrimônio público

A demolição do prédio da antiga lancheria do Parque dos Macaquinhos repercutiu entre os vereadores. Alguns deles ampliaram o ocorrido para a polêmica gerada com a remoção da banca de revistas e jornais da Praça Dante Alighieri.

Entre os parlamentares que se pronunciaram, Paulo Périco/MDB lembrou que ele e os vereadores Rafael Bueno/PDT e Elói Frizzo/PSB protocolaram um projeto de lei tornando as bancas bem imaterial do Município. Além disso, fizeram um pedido de informações à Secretaria Municipal da Cultura sobre o projeto de revitalização da Praça Dante Alighieri. “Foi dado prazo de 90 dias pelo Ministério Público. No dia seguinte, estarão lá [na praça] as retroescavadeiras. Pode estar caindo qualquer barreira, qualquer coisa no Município. O prefeito também já colocou de que após a Feira do Livro as máquinas entrarão na Praça Dante. Não importam os problemas essenciais de Caxias, mas para a Praça teremos máquina e servidores públicos e não se sabe o valor”, assinalou.

O QUE TAMBÉM DISSERAM...

Alberto Meneguzzi/PSB – “Não há informações a respeito do Postão 24h, há demissões na UPA Zona Norte. O IGH está demitindo, descumprindo contrato e obrigações trabalhistas. Que bom que o IGH divulgou uma nota. A primeira vez que eu ouço uma nota pública. O IGH que está há quase dois anos aqui, nunca divulgou uma nota pública a respeito de todas as denúncias, de todas as situações que a gente traz aqui. Então, é importante sim que se comunique”.

Sobre o anúncio do plano de contingência de inverno na rede básica de saúde pelo IGH e Secretaria de Saúde

Edson da Rosa/MDB – “Institucionalmente, o que ele [prefeito] fez com o Município, no mínimo, é uma falta de consideração, porque ele tem a obrigação de avisar o Legislativo. O Município não pode ficar à deriva. Então, estou indo na fala dele, dizendo que ele prima pela institucionalidade. O contraditório do discurso está beirando a aberração. As coisas estão acontecendo porque ele não está ouvindo a instituição Câmara de Vereadores”.

Sobre Daniel Guerra ter ido viajar para Fortaleza/CE sem avisar oficialmente o Legislativo

Kiko Girardi/PSD – “Esse novo governo dizia que era fluxo de caixa. Agora, ele [Eduardo Leite] viu que não é fluxo, é falta de dinheiro mesmo. Ele sentou na cadeira e não tirou também o traseiro de lá. Também os professores não se interessam. Esses professores foram chamados pelo Município. A questão de professores do Estado com parcelamento de salário e salário baixo ninguém mais se interessa. Sobrará para nós, vereadores”.

Sobre a falta de professores na Escola Estadual de Ensino Médio João Pilati (Criúva)

Rafael Bueno/PDT – “Ele [prefeito] propagandeou que gastou R$ 3 milhões dizendo que tinha patrolado 8.000 km de estradas no interior. Cremaram o dinheiro do povo. Naquela sexta-feira, que essa senhora podia estar indo ao médico, as máquinas estavam sabe onde? Ali, na Praça Dante, destruindo a nossa história. Para isso tinha máquina, num dia de chuva. Agora, para ajudar as pessoas no interior, lá em Galópolis, não tinha”.

Sobre a paciente carregada em lençol da ambulância até dentro de casa porque a estrada não tem trafegabilidade





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