Comunidade

Capacidade de produção da indústria está perto do limite

Desempenho da economia em %   Segmentos Fevereiro/Janeiro Fevereiro/Fevereiro Acum. no ano Acum.
03 de abril de 2019

Desempenho da economia em %

Segmentos

Fevereiro/Janeiro

Fevereiro/Fevereiro

Acum. no ano

Acum. em 12 meses

Indústria

13,6

5,8

-0,1

6,6

Comércio

-5,4

20,4

21,1

3,0

Serviços

-1,8

9,7

2,5

5,8

Geral

5,8

9,5

4,3

5,7

Enquanto o comércio ainda segue com sua atividade econômica estagnada, a indústria de Caxias do Sul está próxima do ponto de esgotamento de sua capacidade produtiva. Os principais sintomas desta condição são filas para entrega de produtos e alongamento de prazos, situação que exigiu o restabelecimento de três turnos de trabalho em boa parte das empresas, determinando a contratação de novos funcionários.

De forma a evitar o agravamento deste quadro, as indústrias elevaram investimentos, principalmente em máquinas e equipamentos automatizados e robotizados. Esta decisão se confirma no aumento das importações nos últimos meses. No primeiro bimestre foram investidos US$ 76 milhões, sendo mais de 30% em máquinas e equipamentos.

O dado faz parte do conjunto de informações econômicas divulgadas nesta terça (2) pela Câmara de Indústria, Comércio e Serviços (CIC) e Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) de Caxias do Sul. “A economia caxiense chegou ao seu melhor momento desde 2005”, afirmou Astor Schimitt, integrante da diretoria de Economia, Finanças e Estatística da CIC. Para ele, somente um fato novo pode frear a continuidade deste processo de consolidação de um novo patamar de produção e vendas.

Também integrante da diretoria, Carlos Zignani entende que a cidade ingressou num ciclo virtuoso, que deve durar mais dois a três anos. Mas ponderou que é preciso a aprovação de reformas, como a da Previdência. “Tivemos alguns sobressaltos em março, que assustou alguns setores empresariais. Mas acredito na aprovação da proposta, o que garantirá a continuidade deste crescimento”, acrescentou.

Schmitt manifestou ainda que o crescimento atual origina-se da própria recuperação econômica. Ao contrário do que ocorreu em anos anteriores, quando medidas pontuais e tópicas adotadas pelo governo, como financiamentos de bens de capital a juros muito baixos, foram responsáveis pela demanda. “A retomada atual é civilizada”, definiu.

“Ainda temos uma dívida social”

Apesar do crescimento apurado na indústria nos últimos meses, a geração de empregos não tem acompanhado no mesmo nível. No período de 2014 a 2017, a cidade fechou mais de 25 mil vagas e, nos últimos 12 meses, tendo fevereiro como base, recuperou somente 5,1 mil. “Ainda temos uma dívida social para pagar”, afirmou Astor Schmitt, embora reconheça que dificilmente a indústria conseguirá repor estes quadros. Entende ser necessário investir na busca de novos empreendimentos e na diversificação da matriz econômica para restabelecer os números de anos anteriores, que superaram a casa de 183 mil postos de trabalho. Atualmente, são pouco mais de 166 mil.

Comércio segue letárgico

Embora acumule alta de 21% no primeiro bimestre sobre o mesmo período do ano passado, o comércio segue tendo problemas. A explicação, de acordo com Mosár Leandro Ness, assessor de economia e estatística da CDL, é a base de comparação muito baixa. “Os primeiros meses de 2018 foram muito ruins, situação que se estendeu ao longo de todo o ano. E, até agora, o comércio segue letárgico”, afirmou.

O sintoma mais contundente da gravidade da situação é o recuo de 5,4% no desempenho de fevereiro sobre janeiro, período marcado por férias na maioria das empresas da cidade. Excetuando-se os ramos de informática e telefonia e livraria, papelarias e brinquedos, os demais apuraram declínios. Dentre os mais afetados está o comércio de eletrodomésticos, móveis e bazar, com recuo quase 19%. Nem mesmo a Festa da Uva, que teve parte de sua programação em fevereiro, trouxe fôlego.

Para o economista, a expectativa é que haja uma reação nos próximos meses, embora lembre que a expectativa positiva de janeiro sofreu abalo em março. “Isto é desdobramento dos problemas políticos”, salientou. Reforçou que a Reforma da Previdência é imprescindível para que haja aceleração no crescimento. “Enquanto esta situação não se definir positivamente não acredito em retomada”, externou.