Fernando Santos

APARTE

15 de maio de 2019 às 08:40

Declaração fora de propósito

 

O líder de governo no Legislativo, vereador Elisandro Fiuza/PRB se absteve, ontem, de assistir ao festival de críticas desferidas contra a atual gestão municipal. Ele saiu do plenário durante todo o tempo em que a oposição não mediu palavras para criticar a postura de Daniel Guerra, principalmente, com relação ao fechamento das secretarias de Esporte e Lazer e de Cultura.

Fiuza só voltou ao plenário depois que Renato Nunes/PR já havia feito o serviço que era atribuição dele, ou seja defender o Executivo. Para não ficar muito feio, pediu uma declaração de liderança. Entretanto, ficou completamente visível que foi para dar apartes a Nunes para que ele replicasse pronunciamento anterior, de Rafael Bueno. O republicano também negou que o Executivo tenha a intenção de fechar as duas secretarias. Contudo, no discurso, usou argumento que contradiz a afirmação. Falou que o Município passa por uma crise financeira, o que, na verdade, poderia justificar a extinção.

 

SUPOSTA RETALIAÇÃO

 

Em meio ao acalorado debate de ontem, na Câmara de Vereadores, Rafael Bueno/PDT denunciou que recebeu informações de que a cúpula da Secretaria Municipal de Saúde teria se reunido com os gerentes das UBSs para adotar medidas restritivas com relação à presença dos vereadores e assessores no interior dos postos de saúde. “Principalmente, o vereador Rafael Bueno está proibido de entrar nas UBSs e os demais com suas assessorias. Vários coordenadores de UBSs vieram e trouxeram essa denúncia. Tenho gravação. No momento certo a gente vai expor. Quer dizer: será que estamos na lista negra? Qual o medo deles se está tudo certinho?”, perguntou o pedetista. Caso seja confirmada a veracidade dos fatos, configura-se transgressão à Lei Orgânica, que permite livre acesso dos parlamentares às repartições públicas municipais.

 

PARCERIA

 

Elemento-chave na polêmica instaurada no Legislativo sobre a extinção da Secretaria Municipal de Esporte e Lazer, durante a Ordem do Dia da sessão de ontem (14), o vereador Felipe Gremelmaier/MDB votou favorável à moção de contrariedade ao corte de 30% no orçamento da educação federal. Ao declarar o voto, lançou a ideia de que o Executivo envie um projeto de lei à Casa, regulamentando a isenção das taxas da Codeca e do Samae cobradas do IFRS. Como contrapartida, propôs que a instituição desenvolva projetos sociais à população.

 

300 DIAS A MENOS

 

O vereador Rafael Bueno/PDT protocolou uma emenda ao projeto do Executivo que cria a Central de Intérpretes de Libras, reduzindo de 360 para 60 dias o prazo para a lei entrar em vigor, caso aprovada pela Câmara. A matéria tramita em paralelo com semelhante de autoria dele, que teve o parecer de inconstitucionalidade derrubado pelo plenário, na semana passada. "Engraçado é que justamente na semana que veio à discussão em plenário o meu projeto sobre a Central de Intérpretes, protocolado durante a Semana Municipal de Libras, em 2017, também de minha autoria, o prefeito encaminha projeto similar. Esse projeto era o item número 1 do plano de governo dele, no quesito acessibilidade. Se fosse tão interessante, não deixaria para dois anos e cinco meses após o seu governo e, principalmente, para botar em vigor em período eleitoral", contestou.

 

FAZENDO CAIXA

 

Como bom professor de História, o vereador Paulo Périco/MDB usou da matemática para estimar o que o Executivo poderá fazer com o orçamento da Smel e da SMC, se forem extintas. “A verba da Smel, na Lei Orçamentária deste ano, é de R$ 11 milhões, e a da Cultura de R$ 12 milhões. São R$ 24 milhões, no mínimo, ano que vem. E se tudo isso for jogado para dentro da Secretaria de Educação talvez saiam os R$ 20 milhões para os uniformes que ele está projetando, acabando com cultura e com esporte”, calculou.